
Agradecimento público ao Doutor Jorge Sampaio, ex-Presidente da República
Dirijo-me a V.ª Ex.ª desta forma “aberta” porque, por um lado, desconheço outro modo de o contactar, e, por outro, foi vossa excelência quem me ensinou o mais recente significado da epígrafe.
A Constituição disciplina claramente a forma como a autoridade pública pode ingerir na correspondência pessoal, e, não é a condição de ser oficial do quadro permanente do Exército Português que lhe altera o ónus, por isso lamento profundamente ter recebido um pesado “encómio” – SEVERA PUNIÇÃO DISCIPLINAR – pelo simples facto de lhe ter enviado um e-mail pessoal.
Além do desagravo constitucional, acresce um outro que deveria ter feito retroceder a exuberância disciplinar, vossa excelência, então, prometeu-me (e passo a citar, com bold, itálico e sublinhado) que “caso o assunto viesse a merecer uma resposta esta ser-me-ia dirigida”, mas vossa excelência não apenas incumpriu a promessa como ainda a metastizou numa diligência formal: qualificando-a de susceptível de apreciação disciplinar.
E como nesta direcção, o inesperado é o que mais é de esperar a exuberância fez o resto.
Aprendi uma lição de vida.
Mas recuso maltratar um sublime valor como o da liberdade, daí a razão primeira e profunda desta curta missiva.
Valor que, segundo penso, descobre-se por reflexão dos actos que tomamos. Já não se trata duma aspiração latente, mas antes dum eflúvio normativo cuja expressão somática é a capacidade de ser utilizável.
O êxtase da liberdade é a sua utilização.
Poder-se-á enunciar um vasto rol de fibras que ligam o princípio teórico (ou espiritual) à sua utilização prática (ou corpórea), e, dada a lição aprendida, estou autorizado a dizer que errei na escolha. Não soube escolher o que me estava destinado: o silêncio cómodo. Por ser militar ao que parece não sou livre de ter “vida pessoal”, de merecer tratamento como qualquer outro cidadão. Nesta condição, ao que parece, apenas possuo liberdade pessoal para me calar, liberdade pessoal para nada dizer ainda que “o dizer” mais não seja do que a verdade dos factos ou a transcrição exacta das inferências e, no caso, constitua até um dever de cidadania.
Apesar da inquietude continuo a pensar que o universo do pessoal e o universo do formal (institucional) são dimensões diferentes, conforme ilumina a constituição. E são-no especialmente num regime democrático onde a autonomia de cada um é reforçada mutuamente. São planos focados distintamente e cuja orbe nunca se toca e muito menos se funde como pensou (interpretou) vossa excelência.
Com V.ª Ex.ª aprendi que a verdade é inconstitucional e dizê-la é “crime”.
Pela liberdade, e apesar do estigma, recuso deixar de acreditar que Constituição é a luz que ilumina TODOS os actos, todos os factos e respectivas causas.
Saudação civilista.

1 comentário:
Minh'alma tá parva!!!
Vou continuar a ler....
a sonhadora
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