sábado, 26 de janeiro de 2008

NOVIDADE ZERO



«Existe em Portugal uma criminalidade muito importante, do mais nocivo para o Estado e para a sociedade, e que andam por aí impunemente alguns a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade e não há mecanismos de lhes tocar. Alguns até ostensivamente ocupam cargos relevantes no Estado Português», afirmou Marinho Pinto



Porque será que os portugueses não se surpreendem com esta afirmação?

O poder político e jurisdicional movimentou-se e reagiu, mas os portugueses....

JÁ AQUI POSTEI AQUANDO DA ELEIÇÃO DO DR. MARINHO: NÃO ME SURPREENDE A SUA INTERVENÇÃO.
É um português e "peras".

Bem haja e que Deus o ajude na caminhada.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

CURTO PAVIO III



A transumância do Portugal amordaçado para o Portugal libertado não trouxe sobriedade, legalidade e humanismo, adoptaram-se novos procedimentos coercivos injustos e injustificados, imorais e agnósticos talvez para coagirem e encobrirem, quem sabe, a maculada e apressada descolonização política, moral e material. Com ela foi-se o patriotismo constitucional e cívico, que não se fez rogado, em jeito de retaliação, levou consigo a dignidade colectiva, o espírito de conjunto, a coesão e a irmandade. Vá lá saber-se porquê (quem sabe, para homologar, como insinua a notícia[1], pecaminosos procedimentos, e consequentemente para mistificar o dolo e biombar a responsabilidade), o imaculado príncipe, “subornado” pelo vírus da maldade, decretou, sem decreto de sapiência a lei de tudo poder dizer-se, incluindo a mentira.

Do dia para a noite, dizer tornou-se numa função agnóstica e instintiva e pior do que isso num direito inexpugnável que, depressa demais, ultrapassou todos limites ao ponto de e a coberto dum valor mal assimilado (a liberdade) hoje tudo se poder dizer livremente, mesmo que tal dito se constitua numa ofensa à dignidade nacional ou ao direito individual.

Diz-se, dizer, repetir o que disse e tornar a repetir o repetido, tornou-se num direito semi-afrodisíaco que, como não podia deixar de ser, perverteu e inibiu o dever de fazer, de cumprir, de exemplificar, de honrar, etc. Dizer-se polarizou o fundamentalismo libertineiro que hoje tolhe o conceito da liberdade verdadeira.

A inversão de prioridades depressa se tornou numa rotina e como consequência inevitável a oportunidade, em vez de dar a vez à aptidão, à vocação, licenciatura ou à competência, passou a enrugá-las e como não podia deixar de ser acabou cedendo ao oportunismo, à corrupção e ao compadrio, enquanto, claro está, quem de responsabilidade sobre o assunto continua a dizer que as coisas se passam dentro da legalidade, que tudo foi (ou está a ser) feito correcta e legalmente. O cultismo do dizer esbateu a semântica do fazer, e em alguns casos do dever, por isso os triliões da U.E. encharcaram a carteira dos fazedores do oportunismo e o assédio à adjudicação fez escola para erguer uma já incontrolável oligarquia de interesses mutuamente associados que inexoravelmente atirou para a sarjeta da legalidade o interesse e o bem-estar comum; e, claro está, com o remanescente diz-se que se fez obra e se satisfez as necessidades colectivas.

Dizer e fazer tornaram-se assim elementos distintos e na esmagadora maioria dos casos conflituantes.

Talvez que no princípio de tudo se ensaie uma explicação justificada numa apressada ansiedade em dizer-se que se é livre. Mas com a passagem do tempo, a razão, a explicação, a causa, de tal forma se foi esbatendo e diluindo que hoje se perde de vista no hercúleo da ilicitude institucionalizada. Porém, e apesar desta estrutural intangibilidade, julgamos tê-la encontrado e, pior ainda, julgamos que permanece vigorosa, que se mantém hirta no seu posto de sentinela para dizer conforme as circunstâncias e agir por conveniência restrita, defraudando as expectativas do ingénuo soberano (cada vez mais confuso, resignado e como tal abstémio) e continuando a alimentar o oportunismo coriáceo do príncipe do verbo.

Ninguém me levará a mal (quiçá aplaudirá) se afirmar que hoje em dia vigora a total e completa irresponsabilidade institucional. Nenhum ingénuo acredita ser um exagero, injusto e injustificado, dizer-se que a autoridade se enrugou perante a rotina da libertinagem. Alguém ousa ser uma ousadia fazer constar que o arruaceirismo não apenas está na moda, como – mais grave do que isso - é o poder que actualmente vigora (num ápice corta-se uma ponte, uma estrada, uma via férrea, fecha-se um tribunal, etc.).

O Estado dito democrático limita-se a anotar a ocorrência.

Alguém se surpreende já com qualquer notícia de corrupção (a notícia será adivinhar quem é o próximo a ser descoberto). Quem é capaz de contestar que a intriga, a maledicência e a conspiração se sobrepõem à verdade e à ética; que a cunha substitui o mérito; que o favor derroga a aptidão e a licenciatura; que o interesse mesquinho, particular ou partidário se sobrepõe ao interesse nacional; que os representantes, quer os de carne e osso (realmente eleitos) quer os de cera (percentagem correspondente à abstenção: eleitos artificialmente), cada vez mais representam ninguém; que as oligarquias (mercantilistas, partidárias, maçónicas, etc.), não sufragadas nem legitimadas, são quem detém o poder normativo, forçam a aprovação da lei e escoram procedimentos mercantilistas. Quem ousa duvidar que, para o príncipe do dizer, o soberano só é olhado com importância e particular atenção um dia de quatro em quatro anos.

O processo de degradação do espírito da lusitaneidade começou cedo, antes ou nos instantes do pós-golpe quando, sem perder tempo, uma prole de oportunistas tomou as rédeas do poder para edificar a faculdade da bandalheira. Tal procedimento hostil à nação impôs-se, como um vírus, para subverter a conjuntura e forçar o soberano a cortar, de forma abrupta, os laços com a velha moral obrigando-o a aderir (compelidamente) aos novos modelos de lealdade, muitos deles caídos de pára-quedas, de sapiência restrita e restritiva e com poucos pingos de moralidade. Ao maquiavélico processo de demissão nacional adiram a borga e a folia para ensombrar a serenidade e impedir a racionalidade, mas como a festa não podia durar para sempre, a ressaca impôs-se para ressabiar as consequências. O soberano acorda ressacado, e, enquanto ainda contundido se afasta da paródia, os “especialistas” da nova moral entram em cena para desatar a retirar partido da fragilidade estrutural, entranhando-se no pedúnculo do poder, (conquistado ou recebido de forma coriácea), e deste modo semear o permissivo para contrair localmente um procedimento ajustado ao instinto pecaminoso e vingativo.

A consequência não se fez rogada, a longo prazo, aquilo que deveria ter sido uma serena e pacífica revolução, com motivos para a festa e a celebração, transforma-se numa veiga de coercitividade. A sementeira da maldade fez nascer com “naturalidade” as condutas e as fórmulas de pensamento e acção inconfessáveis, que envergonham a sensibilidade do verdadeiro democrata. E, desde então, (por incapacidade ou cumplicidade) ninguém mais foi capaz de travar o seu ímpeto de malvadez e de destruição.




[1] Notícia explicitada uns parágrafos à frente.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

CURTO PAVIO II (Continuação)



Essa causa maligna que nasceu e cresceu acoitando-se na liberdade e na democracia doada pelos militares, hoje hostilizados, foi crescendo e subliminarmente parasitou no mais alto escalão do poder para a partir daí instituir e promulgar a Bandalheira Nacional.

O seu poder ecuménico e estrutural tornou-se na razão e justificação para a recalcitrante rotina: desrespeito, maledicência, moleza, injustiça e crime.

Para vislumbrarmos o seu nascimento – que repito é anterior ao meu – temos de realizar uma viagem regressiva ao passado, temos de andar para trás, recuar no tempo até uma célebre madrugada, onde as Chaimites e as G-3 vieram para as ruas, convidando o povo a participar numa revolução que o seu íntimo desejava. E este não se fez rogado, saiu à rua em massa, juntando-se aos militares revoltosos para conjuntamente fabricarem uma revolução. Enquanto ambos ousavam quebrar velha ditadura, eis que uma prole de oportunistas começa a vasculhar na sombra. Nas trevas da noite, na calada do silêncio e nas costas do Povo, os especialistas da arruaça e do facilitismo colonizam a agenda política e impõem-lhe, sem acareação, uma vontade subliminar.

Este entomófago rafeiro e oportunista, apanhando os revoltosos distraídos e ou com a colaboração de alguns militares demasiado aventureiros, apoderou-se da conjuntura, despojou-lhe a serenidade e a racionalidade e, no seu lugar, por razões de táctica íntima e de estratégia descolonizante, colocou o Preconceito. O preconceito foi instaurado não apenas para o oportunista enterrar o anátema do autoritarismo, mas especialmente para encobrir o procedimento que se queria ver encoberto. E foi este habilidoso e belicoso rafeiro quem, apanhando o novo Príncipe distraído, ou comprometido - assunto que a História um dia irá desvendar -, permitiu o derrube do muro da autoridade sem que no seu lugar fosse pelo menos colocado um arame farpado.

O baixar da guarda, de forma voluntária ou inconsciente, deixou escapar na enxurrada da libertinagem, algo que deveria ter sido mantido intacto e inviolável: a autoridade, pública e privada.

Sob os auspícios dum “agente” infiltrado a conjuntura sofreu uma contaminação irreversível e a verdade que se desejava, a democracia que se aspirava foi, definitivamente, expulsa para que a conjuntura pudesse servir e creditar interesses estranhos e inconfessáveis.

A ânsia de conquistar o poder deslumbrou o Novo Príncipe que se tornou incapaz de discernir e de impedir a acção incestuosa dessa maldita causa, confidencial, que se acabara de parasitar no pedúnculo do Poder (Estado).

Não raras vezes tenho pensado no que o Meu Pai me diz e quase sempre chego ao mesmo resultado: a cupidez “oportunista” estragou aquilo que prometia ser um regime democraticamente risonho.

O génio do mal fragilizou voluntária e conscientemente a conjuntura para premiar a malvadez e a delinquência. Atordoado pela incoerência conjuntural, o novo príncipe foi incapaz de discernir e de suster o ímpeto dessa atroz causa. O novo Governante (que se dizia democrático) autorizou – julgo que de forma inconsciente - a promulgação de procedimentos indemocráticos, sem precedentes, cujo rescaldo faz envergonhar a memória de tempos que se querem esquecidos e definitivamente enterrados. Dos escombros do regime derrubado, e como consequência da ruptura imprevista, emergiu, em vez da acalmia e da serenidade democrática, a fúria instintiva protagonizada por essa maldita causa, a quem o Poder Público não só não se opôs como ainda se “solidarizou” para premiar a sua ingénita vontade. Esta falta de oposição moral acabou por fragilizar irreversivelmente a capacidade do Novo príncipe que deste modo se quedou impotente para impedir que o génio do mal “promulgasse” decisões que em alguns casos ofenderam o pingo de remanescência da dignidade e do brio nacional e que, a cada dia que passou, transformou a conjuntura numa tímida, envergonhada, empobrecida e virtual democracia.

Com efeito a infância e os primeiros e fundamentais passos daquilo que hoje se chama de democracia (meramente normativa) enferma de equívocos estruturantes e pior do que isso mantém no seu seio um tumor que com a sua actividade maligna a pouco e pouco vem apodrecendo o seu corpo, contaminando, um após outro, todos os órgãos. E se a uma criança se ensina, gastando calma e persistência, o que deve ser ensinado, também a nossa democracia devia ter tido a pré-escola, a primária, o secundário e assim sucessivamente, até atingir a maioridade e constituir-se na Pessoa de Bem, mas infelizmente e em vez disso, cresceu na esterqueira, em vez da aula e da pedagogia, ouviu a gritaria, a coacção ilegítima e o histerismo, aprendeu a ler e a andar numa picada minada de sangue, horror, medo, preconceito e mentira, e, com esta formação atingiu a idade adulta, tornando-se num inevitável Delinquente.

É nesta e por esta condição que se refugia na marginalidade, seu berço e território natural.

Ao príncipe catalepsico não restou outra opção senão ceder aos instintos frívolos dessa moção ilegítima que se parasitou nos subúrbios do Poder para o subverter e deste modo viabilizar a descarga do bom senso e restantes valores. Pelo autoclismo da libertinagem escaparam, sem regresso, elementos imprescindíveis ao condomínio da Democracia e da Liberdade: tais como a coacção legítima, o poder público, o respeito público e privado, a importância da norma, a pedagogia da autoridade e a sinceridade da obediência. Todos fugiram, ou em rigor foram expulsos, sem pingo de remorso nem contraste de reserva. Tal facto forçou o novo a príncipe a, sem dar por isso, co-irresponsavelmente responsabilizar-se pela cultura do permissivo, pela tolerância do arruaceirismo, pelo patrocínio da libertinagem. Estes sucedâneos ocuparam, sem hesitações, o lugar dos verdadeiros e genuínos valores duma democracia que se queria e desejava verdadeira e genuína.

Com este currículo a prometida democracia não passou de miragem. Nada e crescida com estes frágeis caboucos, a sua puberdade não podia ser outra, daí a constatação do Presente: Em Portugal já não existe qualquer força, coacção, meio, instrumento ou poder capaz de cortar o mal pela raiz, capaz de expurgar o demónio, capaz de extirpar a doença. E, como a recalcitrância cresce ao dobro da velocidade do civismo e da civilidade, então o descaramento, a indulgência e a ilicitude que, passaram a coagir o procedimento, transformaram-se em rotinas.

Assim, ao estado que se diz ser democrático, o melhor que lhe posso chamar é que se constitui no inverso do que se esperava ser, e o contrário do meu ideal.

RETRATO DE INSENSIBILIDADE



Há momentos da vida que nos aquietam particularmente.

Há factos e ocorrências que decorrem do clima de lassidão e de irresponsabilidade a que Portugal está votado.

Tenho lido e ouvido que qualquer sítio “serve” para se morrer, e é verdade. Apanhar com uma telha enquanto se passeia numa rua, apanhar com um raio num dia de tempestade, ou perecer num acidente, mas… , falecer numa URGÊNCIA DUM HOSPITAL APÓS QUATRO HORAS DE ESPERA DE ATENDIMENTO MÉDICO É OBRA, passe a expressão.

Então não é que nem este facto é relevante para o poder despótico?

O que disse o Primeiro Ministro, sim aquele que mal um soldado morre no Afeganistão corre para o lar dorido, o que disse ele?

E o Ministro da Educação que disse?

E que fez?

Pediu a exoneração?

NÃO?

Custa a acreditar que a morte duma cidadã nestas circunstâncias NÃO SEJA motivo mais do que suficiente para levar à destituição do Ministro da Saúde?

De facto quem não tem saúde é o regime, está doente, podre e canceroso.

Persegue inocentes, incentiva a delação, para deixar os criminosos escapar pelo ralo da prescrição…

Portugal é hoje o paraíso da asneira e da bizarria.

Os sintomas não enganam e a agonia é desesperante.

Há indícios vastos que indicam que Portugal está moribundo.

Pessoalmente já nisso acreditava há muito, porém julgava-me enganado e tinha uma secreta esperança de estar mesmo enganado.

Afinal enganei-me.

"MEU DEUS PORQUE NOS ABANDONASTE?"