sábado, 31 de maio de 2008

QUEM TEM MEDO DA BLOGOSFERA?



Há alguém em mim que me diz que anda a pairar no ar uma ideia “contra a blogosfera”.

Não é verdade que quem usa a blogosfera, ainda que a coberto de pseudónimo, o faça por cobardia ou para caluniar: SÃO MUITAS AS RAZÕES QUE FORÇAM AO ANONIMATO.

Mas isso – COMO CONCLUSÃO – que querem impingir é a mais pura das mentiras.

Tenho andado neste mundo e confesso que “paira no ar” uma solidariedade e uma percepção das coisas bem diferentes da insensibilidade e da desconfiança do dia a dia.

Podemos não concordar com o outro, mas também é verdade que o podemos dizer-lhe.

E isso sim é a democracia.

Podemos não ficar agradados com a ideia do outro, mas podemos contrapor a nossa.

E muitos dos que aparecem agora a indignar-se com liberdade DA BLOGOSFERA: A ÚNICA DEMOCRACIA VIGENTE EM PORTUGAL, digo eu, são aqueles que sempre tiverem acesso ao direito de se manifestar – em programas de TV e rádio, escrevendo em jornais, formulando opiniões, sem contraditório.

Sem contraditório…

Eu discordava muitas vezes, mas tinha de engolir, mas a mim não me são dados iguais direitos de contrapor.

A Comunicação Social, os Jornais, as Revistas estão inundadas dos mesmos fazedores de opinião que NÃO SÃO, nem QUEREM SER ESCRUTINADOS.

Na blogosfera isso morreu, foi derrogado.

E parece ser isto que os incomoda.

Incomoda quem tem o monopólio do “dizer”. Assim como incomoda quem tem o monopólio da “mensagem”.

Só se fala daquilo que eles querem falar: É INSUPORTÁVEL O TRATAMENTO JORNALÍSTICO QUE ESTÁ A SER FEITO À EQUIPA PORTUGUESA.

Um conjunto de meninos ricos e mimados que são tratados como se fossem heróis.

Aliás já assistimos a um dos actos institucionais mais repugnantes da nossa História, ver um PR condecorar os jogadores derrotados.

Isto, num país que tem cerca de 500.000 “ressacados” duma guerra que não queriam fazer, não decidiram mas que foram patrioticamente convidados a participar, isto é o cumulo e devia fazer corar de vergonha todos aqueles que ainda detêm um PINGO DE PATRIOTISMO, se é que ainda restará alguém que saiba o que isso é…!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

UM DESABAFO E QUEM SABE?





Desde sempre que são por demais conhecidos e já estudados os métodos e os expedientes usados na luta pelo poder.

Portugal tem para oferecer à doutrina e à Ciência Política uma versão inovadora dessa luta.

Titubeando entre o socialismo (dito) democrático e a social (dita) democracia assim se parece Portugal, como uma zebra com o preto e branco a alternar na sela do poder.

As incursões de um, consoante as vantagens da conjuntura, nos terrenos do outro levaram o País à inevitabilidade ideológica.

Transformando-o num alfobre de um ideal vazio.

Com políticos que se comportam e agem como profetas do instante, e com políticas do momento, esfarelaram a esperança colectiva.

Hoje não se vê em Portugal uma visão política, um rasgo de génio, uma solução credível e aceite colectivamente.

As soluções apresentadas resultam mais do efeito de retroação, reagindo à posteriori e sob o impulso duma visão finalista, a reboque dos acontecimentos propondo portanto soluções pouco maduras, pouco temperadas, nada planeadas, do que duma visão maduramente desenhada.

O Poder sobrevive na base do impulso populista, tout court, numa tradução avulsa e oportunista dos acontecimentos, cobrindo sem coerência tudo e todos, algo e o seu contrário.

Além de alfobre do vazio é ainda guarida de todos os oportunistas quaisquer que seja a tendência do momento: laico, católico, agnóstico, frustrado, gay, eunuco, toxicómano, pedófilo, maçónico, mitómano ou outro rafeiro sem rótulo específico.

O tempo foi-se escoando e a democracia apodrecendo.

Hoje Portugal caminha para o flash inevitável: o Presente Envenenado.

Apesar de não se vislumbrar uma cura sem dor, e convictos do acerto, propomos a homologação de uma lei nacional que “derrogue tudo o que aconteceu e foi feito depois da Revolução de Abril”.

Experimente-se devolver o poder ao Povo para que este dê início à revolução sonhada e não ao pesadelo vivido.

Mas para que esta solução resulte exige-se que se lhe dê o poder verdadeiro e não a miragem constitucional que o faz ser lembrado uma vez de quatro em quatro anos…!