sexta-feira, 30 de maio de 2008

UM DESABAFO E QUEM SABE?





Desde sempre que são por demais conhecidos e já estudados os métodos e os expedientes usados na luta pelo poder.

Portugal tem para oferecer à doutrina e à Ciência Política uma versão inovadora dessa luta.

Titubeando entre o socialismo (dito) democrático e a social (dita) democracia assim se parece Portugal, como uma zebra com o preto e branco a alternar na sela do poder.

As incursões de um, consoante as vantagens da conjuntura, nos terrenos do outro levaram o País à inevitabilidade ideológica.

Transformando-o num alfobre de um ideal vazio.

Com políticos que se comportam e agem como profetas do instante, e com políticas do momento, esfarelaram a esperança colectiva.

Hoje não se vê em Portugal uma visão política, um rasgo de génio, uma solução credível e aceite colectivamente.

As soluções apresentadas resultam mais do efeito de retroação, reagindo à posteriori e sob o impulso duma visão finalista, a reboque dos acontecimentos propondo portanto soluções pouco maduras, pouco temperadas, nada planeadas, do que duma visão maduramente desenhada.

O Poder sobrevive na base do impulso populista, tout court, numa tradução avulsa e oportunista dos acontecimentos, cobrindo sem coerência tudo e todos, algo e o seu contrário.

Além de alfobre do vazio é ainda guarida de todos os oportunistas quaisquer que seja a tendência do momento: laico, católico, agnóstico, frustrado, gay, eunuco, toxicómano, pedófilo, maçónico, mitómano ou outro rafeiro sem rótulo específico.

O tempo foi-se escoando e a democracia apodrecendo.

Hoje Portugal caminha para o flash inevitável: o Presente Envenenado.

Apesar de não se vislumbrar uma cura sem dor, e convictos do acerto, propomos a homologação de uma lei nacional que “derrogue tudo o que aconteceu e foi feito depois da Revolução de Abril”.

Experimente-se devolver o poder ao Povo para que este dê início à revolução sonhada e não ao pesadelo vivido.

Mas para que esta solução resulte exige-se que se lhe dê o poder verdadeiro e não a miragem constitucional que o faz ser lembrado uma vez de quatro em quatro anos…!

1 comentário:

fotógrafa disse...

Major Rocha, seja bem aparecido...
Como sempre muito oportuno tudo o que aqui escreveu, na verdade este país está uma anarquia pura...
Quem sabe se mais dia menos dia, tudo não dá uma volta de 180 graus.
Um bom fds
Abraço