sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
O EXÉRCITO É QUE SABE, OS OUTROS RAMOS SÃO PARVOS!
MANUEL CARLOS FREIRE, in Diário de Notícias
Interpretação legal do Exército diverge das da FAP, Marinha e Ministério
Os militares do quadro permanente (QP) do Exército estão proibidos de beneficiar do estatuto do trabalhador--estudante (ETE), ficando discriminados em relação aos da Marinha, da Força Aérea e do próprio ramo em serviço no Estado-Maior General das For- ças Armadas (EMGFA).A posição do Exército consta de um despacho assinado a 18 de Janeiro deste ano - mês e meio depois de o Ministério da Defesa Nacional (MDN) declarar o contrário: o ETE aplica-se a todos os militares do QP.O Exército explicou ao DN que "não existe qualquer disposição legal a reconhecer-lhes tal direito", pelo que concede aos militares do QP "outros tipos de licença, com vista a proporcionar a sua valorização pessoal". Instado a explicar o porquê de o Exército interpretar a lei ao contrário da Marinha, da FAP e do próprio EMGFA, o porta-voz do ramo, tenente-coronel Hélder Perdigão, insistiu que "a lei só reconhece aquele direito aos militares dos regimes de contrato e de voluntariado". Contudo, "o Exército não prejudica ninguém que queira melhorar a sua formação", frisou o porta-voz, pois concede-lhes "dispensa de horas ou de dias". Apesar disso, o ramo pediu parecer à Procuradoria-Geral da República sobre a matéria (ainda não dado). O MDN seguiu o mesmo caminho. Apesar de afirmar - num despacho assinado a 11 de Dezembro de 2007 - que o ETE "é aplicável aos militares do QP, não se mostrando ainda incompatível com o dever da disponibilidade para o serviço", o secretário de Estado da Defesa reconheceu a necessidade de pedir "a intervenção do Conselho Consultivo" da PGR. Na base do pedido de João Mira Gomes estarão as reservas levan- tadas pelo chefe do EMGFA (CEMGFA), general Valença Pinto, com base num parecer que a PGR elaborou em 2001 sobre o exercício daquele direito pelos militares da GNR. Segundo este documento, "aos militares da Guarda Nacional Republicana não é, em virtude do dever de disponibilidade que sobre eles impende, aplicável o regime dos trabalhadores-estudantes".Valença Pinto (Exército) lembrou ainda que a posição do MDN "colide com o sentido da doutrina contida no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça" (2004), daí concluindo que o ETE "não é aplicável aos militares do QP por força do ónus da permanente disponibilidade para o serviço que recai sobre os militares em geral". Note--se que o general não revogou o despacho, assinado pelo seu antecessor em 1999, general Espírito Santo (também do Exército), onde se determinava que a concessão de facilidades ao "militar-estudante" para ir às aulas "aplica-se aos militares em comissão de serviço no EMGFA que frequentam qualquer grau de ensino oficial ou equivalente".A posição da FAP data de 2002 e está publicada em Diário da República. A Armada, também por despacho, "tem consagrado internamente [o ETE] pelo menos desde 1993, indis- criminadamente, às diversas categorias de pessoal militar e a todos os regimes de prestação de serviço".Os presidentes das Associações de Oficiais (AOFA) e de Sargentos (ANS), ouvidos pelo DN, manifestaram-se a favor do exercício daquele direito pelos militares do QP - "condicionado à disponibilidade do serviço, naturalmente", reconheceu o sargento-chefe Lima Coelho. Aliás, observou o coronel Alpedrinha Pires, "isso acontece com qualquer funcionário [civil] da Administração Pública".
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Bilderberg ou Censura?

Há uma situação GRAVÍSSIMA que consubstancia um ataque aos mais elementares direitos constitucionais, assim como consagra uma ilegal discriminação entre cidadãos e que, ao que parece, está a ser votada ao ostracismo, quer pelas entidades directamente responsáveis, quer pelas penhoras da tutela, quer pelos responsáveis pela monitorização dos valores constitucionais, quer pela política em geral e…, estranhamente também pela própria imprensa “sempre ávida” de notícias e que absurdamente parece querer CALAR esta tão grave afronta à dignidade humana e aos valores de cidadania.
AOS MILITARES DO QUADRO PERMANENTE (QP) DO EXÉRCITO, À ESMAGADORA MAIORIA DESTES, ESTÁ A SER DE FORMA PREPOTENTE E INJUSTIFICADA, SONEGADO O ACESSO DE CADA UM DELES A BENEFICIAR DO REGIME JURÍDICO ESTABELECIDO PELO ESTATUTO DO TRABALHADOR ESTUDANTE, REGULADO NA LEI 116/97, ASSIM COMO NA 35/04, E COM ISTO ESTÃO SENDO VIOLENTAMENTE DISCRIMINADOS RELATIVAMENTE AOS RESTANTES MILITARES EM REGIME DE RV E RC, ASSIM COMO RELATIVAMENTE AOS SEUS CONGÉNERES DO QP DA MARINHA E DA FORÇA AÉREA.
Pessoalmente tenho “reclamado” com lealdade, olhos nos olhos, dirigindo-me com frontalidade às entidades afins, todavia começo a ficar farto e cansado, assim como muitos de nós, o que significa que dentro em breve, e conforme determina a constituição de FORMA EXPRESSA, talvez comecemos a pensar em passar a usar de forma activa o Direito à Resistência (artigo 21.º da Constituição da República).
Até lá, ainda com esperança e optimismo, aguarda-se serenamente…
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
O JORNAL O SOL ASSIM O DIZ...!?

| Defesa sem fiscalização | |
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O DESPACHO que nomeia o Conselho de Fiscalização do Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA), o organismo mais rico da Defesa e que gere sistema de saúde militar, está guardado na gaveta do ministro desde Abril de 2007. |
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Curto pavio IV (CONT.)

(...)
Tudo porque um vírus se incrustou ilegitimamente na teia do poder. É (quase) certo que ainda não tem apelido oficial, embora esteja e seja “oficialmente” omnipresente. Chamam-lhe muitas coisas: abuso da liberdade, fraqueza do regime, imaturidade, ou outros impropérios no entanto todos querem dizer o mesmo, algo cuja tangibilidade se mede nos resultados concretos que produz. Sabe-se que conquistou o Poder e aí parasitou e nunca mais de lá saiu, ou foi expulsa, servindo interesses promíscuos, derrogando a legitimidade sufragada. Com a sua parcimoniosa e persistente actividade acabou por transformar o sufrágio (um dos mais imponentes alicerces duma democracia genuína) numa “chantria” sufragista que, como um tumor, se espalhou pelo corpo da Pátria atingindo-lhe os órgãos vitais.
Hoje, cansado de ver o Meu Pai de estar a ser vítima duma descomedida e imoral violência e agressão, resolvi denunciá-la a quem de direito.
E faço-o acusando-a - a mesma causa - de ser originariamente responsável, e hoje co-responsável, pelas práticas negativas que perverteram e degradaram a moral pública e transformaram a legitimidade num improbo eleitoralismo.
A chantria apoderou-se do mecanismo do poder para banalizar irreversivelmente a causa pública, fragilizar o Estado (já de si frágil) e tornar o regime doentiamente permissivo; e, não contente com tão alto estatuto, o entomófago codificou as novas regras do jogo eleitoral, limitando o candidato a representante e forçando-o a sustentar a candidatura na fórmula do dizer. Como consequência foi forçado a negociar tudo com todos, e, como consequência da consequência a campanha eleitoral passou a ser um processo descomedido, erguido na base do ruído e do insulto em substituição da reflexão.
O resultado não se fez esperar, com a legitimação da intriga, o representante eleito passa a representar essa reminiscência histérica.
Ao despertar para esta cruel constatação, ao soberano “activo” e “atento” não resta outra opção senão caminhar para a abstenção.
Ainda me faltam 10 anos para o fazer, mas já sei como e o que irei fazer.
Um destes dias, enquanto deixava escoar o tempo com brincadeiras da minha idade dei com o Meu Pai a ler um livro curioso que me surpreendeu com uma espectacular insinuação.
Nele consta, de modo escarrapachado e com todas as letras, a bold e sublinhado, que o 25 de Abril foi obra e produto dum acordo-prévio entre irrepresentantes do estado português e o inimigo.
Acontece que tal escanzelada acusação, que o deixou estupefacto e da qual me diz não ter memória de algum dia tal ter sido objecto de discussão pública ou de desmentido formal, deixou-o completamente intrigado e confuso, por um lado, pelo facto de nela constar que a sua publicação foi censurada em Portugal[1], e, por outro, pela nua e crua infutilidade com que o autor descreve minuciosamente os pormenores (dia, data, local, intérpretes, objectivo e conclusão) afirmando que nesse zaruco dia, em Maio de 1973, em Paris, ocorreu uma reunião clandestina, patrocinada pelos partidos perseguidos pelo regime deposto (PS e PCP), o representante do PCUS e seus afilhados do capim (PAIGC, FRELIMO e MPLA), na qual foi acordado a concepção e forma de execução dum golpe de estado em Lisboa.
Se o conteúdo desta notícia fosse verdadeiro (do qual o Meu Pai diz já acreditado bem menos) o golpe de Abril sofreria uma espectacular reviravolta moral, pois tal significava que fora minuciosamente congeminado à distância, longe das causas oficializadas e próximas duma tentação perfidiosa, visando unicamente promulgar uma permuta negociada. Mas o que mais nos intriga ainda, é que, apesar e para além da notícia, existe uma injustificada ausência de explicação formal, credível e pedagógica que concede território e serve de alfobre para a dúvida razoável e para a insinuação pronunciada. Com efeito, se dos relatos que por aí pululam retirarmos os aspectos puramente aventureiros, a ousadia narcisista, o sensacionalismo formal e o oportunismo ideológico ficamos sem nada, ou com muito pouco, insuficiente para descodificar o que realmente traduz tão magnânima e estrutural metamorfose.
Vá lá saber-se porquê, a juzante desses relatos avulsos impera um sepulcral silêncio que permite e dá azo ao exagero e que pior do que isso ofusca o virtuosismo e os fundamentos reais para dar asas a outras apreciações inclusive a insinuada que confere um nexo doloso entre a causalidade e o formalismo. Com tal e tão estruturante silêncio permite-se habilmente retirar conclusões que corroem o postulado missionário, a espontaneidade puramente aleatória, o formalismo puro e a ínclita proeminência que o isenta da ilicitude.
[1] Quando nos dizem que a censura havia sido já abolida!?
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Grito de Revolta

O artigo refere a fotos e contém fotos que podem ser vistas no blog: http://www.luisdefragaalves.blogs.sapo.com/
"É com muita honra que publico no meu blog este grito de revolta do Sargento-Chefe Carlos Sousa da Silva Nuno, reformado da Força Aérea Portuguesa.
Recebi esta carta aberta pela Internet, acompanhada das fotografias que se seguem.
Aqui fica um testemunho do sentimento de mais um militar que foi capaz de o expressar por escrito e com respeito.
Honra lhe seja feita
Excelentíssimos Senhores
Em boa verdade nem eu próprio sei como classificar o teor desta carta. Os Senhores lhe darão a classificação que entenderem. RECLAMAÇÃO? LAMENTO? PEDIDO? REVOLTA?
REVOLTA pela maneira como eu e mais uns milhões de portugueses fomos enganados nas promessas eleitorais do Senhor 1ºMinistro. Se V. Ex.ª tivesse dito que ia tirar, em vez de dizer que dava, não estaria certamente no lugar que ocupa. Enganou-me, tirou-me e continua a tirar-me porque eu sou um dos elos mais fracos e a quem é mais fácil chegar, fácil e cómodo. Pertenço à classe dos militares reformados, a classe a que o Governo chama funcionários públicos dando-lhe nitidamente a conotação, que havia antigamente, do chamado manga-de-alpaca. V. Ex.ª faz-me lembrar o indivíduo alcoolizado que chega a casa e desata a bater na mulher e nos filhos que é quem tem mais à mão e em quem é mais fácil, descarregar as iras. V. Ex.ª fá-lo em relação aos mais necessitados pois, como há dias disse publicamente o Sr. general Garcia Leandro, é um escândalo o que se paga a membros de certos cargos. Mas esses estão salvaguardados, com o futuro bem garantido porque parece que são intocáveis, se calhar por pertencerem às mesmas famílias políticas que têm constituído os governos. Quero informar que não sigo em rigor nenhuma linha política mas, de facto, nunca esperei vir a ser tão humilhado e enxovalhado, na qualidade de velho militar de carreira e agora votado a quase completo abandono e desprezo por parte do Governo. REVOLTA por constatar que V. Ex.ª, Senhor 1º Ministro, não gosta de nós, nós que lhe demos a possibilidade, em 25 de Abril de 1974, de agora estar no Governo com todas as prerrogativas de fazer o que muito bem entende. REVOLTA pela maneira como funciona o serviço da ADM ao qual eu tenho pleno direito mas que parece ser um favor que me está a ser concedido. Classificou de privilégios os direitos adquiridos ao longo dos anos e que o Governo, abruptamente, entendeu retirar como medida absolutamente populista, aliás como é apanágio do Senhor 1º Ministro e que é anunciar coisas que caem bem na opinião pública mas alheando-se, ou fingindo que não percebe, que tem TODOS os ramos de actividade do país em protesto. LAMENTO porque anui de alma e coração aos ideais do 25A, do MFA, não enjeitando porém, a honra de ter participado na guerra do Ultramar, em que se dizia, então, na defesa da Pátria. Cumpri como me competia e é com orgulho que ostento nos meus documentos condecorações e louvores. E V. Exª onde estava? Sabe o que foi ser militar nesse tempo? REVOLTA por agora ser tratado como lixo que já não presta e que se deita fora com o maior despudor e indiferença. A ADM, integrada no IASFA, não dá conta do recado, fruto de uma alteração forçada no sistema de saúde para a qual ninguém estava preparado. Veja-se o que se passa no Hospital da Força Aérea ao qual recorro. Para marcar algumas consultas é preciso ir para a Porta de Armas às 5 ou 6 horas - (no dia 6 éramos cerca de 60 pessoas) - Foto n.º 2 - esperar que o sentinela nos deixe entrar às 7H30, esperar depois à entrada do edifício - Foto n.º3 para às 7H45 entrar então para a sala - Foto n.º4, onde se começam a tirar as senhas e depois às 8H30 começarem as marcações que, não raras vezes, já não se conseguem. Mesmo as que se conseguem são, em média, para daí a 2 meses. Em Gastro só há um médico a dar consulta; sabe-se que não há ordem para contratar médicos para substituir os que se vão embora, como sucedeu recentemente em Urologia. Houve um médico que me disse que ia deixar de dar consulta e quando lhe perguntei o que seria dos doentes respondeu com a maior descontracção - "isso é problema da Força Aérea" .É este o apoio que os reformados militares têm, depois de anos e anos a servir o País? Já nos retiraram as comparticipações que tínhamos nos medicamentos, dizem que sou aumentado mas há dois anos que recebo menos dinheiro ao fim do mês. V Ex.ª, Senhor 1º Ministro, costuma dizer que é natural que ninguém goste de perder privilégios. E o Senhor gosta? Se não, porque se serve deles? Como acha que era um privilégio o que os militares tinham vou só lembrar-lhe um episódio. Quando V. Ex.ª teve o acidente, nas férias na Suíça, e precisou de ser intervencionado recorreu ao hospital da sua zona de residência? Foi para a Porta de Armas do Hospital da Força Aérea, como eu, para marcar consulta? Não. V. Ex.ª beneficiou do privilégio e foi imediatamente atendido. Só por curiosidade gostava de saber, além de não ter tido o incómodo de estar junto de mim na rua, ao frio ou à chuva às 6 horas, qual o cartão que o credenciou e qual a taxa moderadora que pagou. Sim, porque que me conste o Senhor não é e julgo que também não foi militar, portanto estará ao nível de beneficiário da ADSE. Também o posso informar que o Senhor, quando foi operado, passou à minha frente que aguardava vaga havia cerca de um ano para também ser operado a um joelho. E porquê? Por ser 1º Ministro? Mas o Senhor, tal como todos os outros membros do Governo são pagos por mim e pelos outros contribuintes, portanto não têm o direito de atropelar quem lhes paga. Como V. Exas. calcularão esta carta, bem como as fotos, vai circular na Internet e pode ser que alguém resolva faze-la chegar à comunicação social. Eu não o faço por vergonha, pois basta ver o meu orgulho ferido quando os autocarros da Carris passam junto ao H. da F. A. e se nota que alguns passageiros fazem chacota ao ver aquela gente ali, na rua, na sua maioria velhos como eu. È este o " reconhecimento " do Governo que, ao invés de se orgulhar e compensar os velhos militares de carreira os humilha desta maneira? PEDIDO, que V. Exas. sejam breves nas represálias que pretenderem exercer sobre mim. É que vou a caminho dos 74 anos; já fui operado 17 vezes; já nada cá ando a fazer; já não tenho quem dependa de mim; já nada me importa em termos de futuro e, se demorarem muito tempo, já não lhes darei o prazer de me verem espernear de raiva, de dor, de sofrimento e de arrependimento por ter ajudado à possibilidade de V. Exas. me enxovalharem como têm feito. Mais uma vez evoco as palavras do Sr. General Garcia Leandro: "Isto tem que mudar "e não seria boa imagem para o seu ego ter que fazer como o outro que, em desespero, incendiou Roma para mostrar o seu poder.
Respeitosamente
Carlos Sousa da Silva Nuno
Sargento-Chefe OPCOM/Reformado"
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Lapso de memória?

Agora que surge esta "onda" institucional de solidariedade para com o presidente de Timor, talvez seja bom recordar, especialmente aqueles que hoje tanto se indignam, que em Portugal houve um Primeiro-Ministro e um Ministro da Defesa que foram barbaramente ASSASSINADOS, sem que se tenha tentado descobrir o autor do crime e levá-lo a julgamento...!
Será apenas uma questão de memória, ou será pura conveniência política?
Responda quem souber.
Falência anunciada

Aquilo que há anos ando a dizer é afinal agora formalmente confirmado por um alto súbdito deste regime:
"Garcia Leandro, general e director do observatório de segurança, não tem dúvidas de que a situação social em Portugal é potencialmente perigosa. Diz que se os partidos nada fizerem pode acontecer uma explosão ou uma implosão social. Afirma que é urgente uma reforma do sistema e que as actuais forças políticas vão implodir mais cedo ou mais tarde, dando origem a novos partidos, bem definidos à esquerda e à direita. E está com Cavaco no ataque aos altos salários dos gestores..."
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Curto Pavio III (continuação)

Com tal causa no leme da conjuntura, num ápice, por vingança e preconceito, Portugal assistiu a fenómenos de escárnio e maldizer que se tornaram estruturantes da cultura do Perjúrio: a ponte sobre o Tejo muda de nome; por rotina, as ruas, praças, largos e avenidas adoptam novas designações (cujos baptismos nalguns casos ofendem a memória dos Nossos Maiores); as estátuas caiem como tordos; o príncipe derrubado (Marcello Caetano) é exemplarmente punido (doze anos de prisão por ter cometido o crime de servir e governar Portugal[1]); a descolonização (que tanta dor, sofrimento e morte causou) foi feita debaixo dum exemplar silêncio e estrategicamente continua (exemplarmente) silenciada; a liberdade deixou de ser um valor credível para se transformar numa falácia; institucionalizou-se o cultismo do dizer democrático e do fazer o seu contrário; falsificou-se a democracia e com ela falsificaram-se os seus ingénitos compadres (a liberdade e a autoridade) e como consequência o soberano (por um dia), espera 19 anos por uma decisão do tribunal; vê cinco comissões de inquérito concluírem que Camarate foi crime e ponto final parágrafo; vê os deputados defraudarem conscientemente o erário público sem censura (judicial ou política); presume que a indulgência às FP-25 é o pagamento de uma dívida de gratidão; vê o príncipe render-se e sucumbir aos instintos da perversão: se não pode com a droga, legaliza-a, se não pode com o aborto, legaliza-o, se não pode com a tourada de morte, legaliza-a, etc. (sabemos o que nos espera quando não puder com o roubo!); vê os lobbies da alegada liberdade sexual conquistarem cada vez mais território (gayismo, lesbianismo, travestismo, transformismo, etc.); vê o processo dos hemofílicos ficar em águas de bacalhau; assiste ao regabofe do caso da pedofilia; vê a imparcial e insuspeita sabedoria judicial descobrir que, no caso fax de Macau, houve corrupção, houve corruptor mas não foi capaz de encontrar e punir o corrompido; vê ser eleito (nas suas costas) indivíduos com um passado pecaminoso e um cadastro de preconceito e vingança; vê o príncipe brincar ao referendo com coisas banais e enquanto isso, nas suas, costas decide assuntos vitais (soberania) que apenas à Nação (e nunca à Representação) dizem respeito; vê o seu filho ir para a escola e regressar sem relógio, anel, dinheiro ou qualquer valor; vê a mulher ser assediada ou violada (embora lhe seja garantido a liberdade para se queixar de ninguém); sente-se inseguro; julga-se enganado; não confia em ninguém; vê o respeito escoar-se pelo autoclismo da libertinagem; vê o Príncipe exceder-se em regalias enquanto compatriotas (e ainda por cima soberanos) vivem debaixo duma ponte; vê a autoridade a ser confundida com o autoritarismo; vê o permissivo triunfar sobre o coercivo; sente a anarquia, a corrupção e a irresponsabilidade a todos os níveis da administração; sente-se enganado quando lhe dizem que pertence ao pelotão dos ricos e no entanto só vê miséria; vê semanalmente um comboio colidir com um veículo automóvel (isto num país dito do pelotão da frente); vê e sente que o civismo foi atirado para a sarjeta do oportunismo; vê um licenciado (após cinco anos de dedicação, esforço e sacrifício) não ter emprego e enquanto isso os “Zé Marias”, em apenas quatro meses, co-leccionando a maledicência, o despudor e a recalcitrância, asseguram as suas reformas; descobre que o critério da distinção pública tem uma correlação com altos serviços prestados à Pátria menos nítida do que o corporativismo, o lobbie, a filiação partidária e a maçonaria (casos houve de distinção pública de cidadãos que foram responsáveis e culpados de actos que configuram o crime de delinquência de alta traição); vê o trabalho infantil ser objecto dum jocoso racismo social (se uma criança de 13 anos, pertencente a um família humilde, cuja mãe é doente crónica e o pai um crónico alcoólico, ambos desempregados, é apanhada a trabalhar o Estado vê aqui o crime de abuso de trabalho infantil, mas fecha os olhos se por outro lado essa criança for descendente duma família VIP que por ter sido bafejada com um corpo atraente e uma voz fonética já pode exercer a profissão de manequim, cantor, bailarina ou locutora de TV que, não apenas é excelentemente remunerada como ainda passa a ser notícia de primeira página e a ter direito a entrevistas); vê os mesmos que em tempos gritaram histericamente “nem mais um soldado para o Ultramar”[2], hoje investidos em altos cargos, mais de circunstância que servidão, enviarem agora para a morte injustificada, longe do torrão natal, (Timor, Kosovo, Bósnia e outros lugares), compatriotas dizendo-lhes que são vedetas dos modernos sistemas de defesa e de segurança; vê aparecer, a pretexto da liberdade de imprensa, na primeira página do jornal ou na abertura do telejornal a fotografia do criminoso lado a lado com a fotografia do inocente; vê os culpados da queda da ponte de Entre-os-rios vazarem na maré da irresponsabilidade; assiste ao preciosismo dum tribunal que descobre como culpado para o assassínio duma criança, cuja negligência foi ter carregado (conforme mandam as regras) no botão sinalizador dum semáforo (em plena capital), um electricista há anos reformado; vê crianças serem “assassinadas”, em locais de diversão, devido à negligência grosseira do Estado, enquanto o Príncipe assobia e olha para o lado; vê milhares de concidadãos perecerem em acidentes de viação por causa de sinalizações deficientes, ou inexistentes, estradas maltratadas, bermas transformadas em lixeiras; vê o Príncipe, dito democrático, insinuar com triunfalismo que a democracia é património e exclusividade da esquerda, incluindo a esquerda xenófoba; vê um representante chamar, impunemente, cobarde ao primeiro-ministro de Portugal; vê os concidadãos que resolvem adquirir (a custo diga-se) a sua casa própria, ter de pagar duas (a dele e a do trapaceiro a quem o representante gratifica por não cumprir a lei, por fugir aos impostos e por adoptar uma opção de vida clandestina); vê o concidadão espoliado por ter de pagar, de forma compelida, a taxa duma TV que recusa ver porque os seus programas são intragáveis; vê o estado com os seus impostos dar gratuitamente seringas para sustento dum vício voluntariamente adquirido, enquanto compatriotas com problemas involuntários de saúde têm de pagar a seringa que a doença não dispensa; vê o Príncipe tratar a direita de xenófoba enquanto a esquerda (quiçá ainda mais xenófoba), é tratada com solenidade (e pasme-se elege representantes); vê o conceito de família a ser completamente destruído a soldo de instintos e tentações sexuais antinatura; vê o mesmo Estado que penaliza e persegue o consumo de álcool, incentivar paradoxalmente o consumo, patrocinando uma marca de cervejas nas camisolas das quinas (selecção nacional de futebol); vê enfim o cumpridor (cada vez mais minoritário), o respeitador e o zeloso – afinal um dos poucos que ainda “pede desculpa” quando falha e utiliza o termo “por favor” quando se dirige aos outros - a ser vilipendiado e sentenciado por cumprir a norma, por obedecer aos valores, por sujeitar-se à lei; vê um célebre advogado dizer
Enfim vê e assiste a tudo isso, enquanto lhe gritam que é livre e soberano, sem que ele coitado saiba sequer o significado de qualquer dos conceitos ofertados.
[1] Esta estranha condenação oferece-nos uma lição de vida: quem um dia julgará e condenará os crimes cometidos pelo príncipe actual?
[2] Quando estes soldados então defendiam legitimamente o património constitucional!?
[3] Quando Portugal devia ter sido uma das partes do acordo e por isso tinha o dever e o direito de ter mexido e participado nos conteúdos!?