sexta-feira, 30 de novembro de 2007


Chefe 'informados' pela Internet

TGeneral Valença Pinto - CEMGFA

M.C.F. e RUI COUTINHO
DN de 29NOV2007

A forma como o Governo tem tratado assuntos importantes para a instituição militar alimenta, a par das críticas contra certas decisões políticas, o sentimento de desconsideração para com as Forças Armadas, que os militares sentem e dizem existir da parte da classe política.

O recente projecto de alteração dos vínculos e carreiras à função pública constitui um dos exemplos mais recentes: "Os chefes [de Estado-Maior] souberam pela Internet" da existência desse documento, apesar de terem milhares de civis a trabalhar sob a sua tutela - e de os próprios efectivos militares serem abrangidos pelo novo diploma, disseram diferentes fontes ao DN.

A nova Lei Orgânica da GNR, recentemente promulgada pelo Presidente da República, oferece outro exemplo: o Governo deu ao Conselho de Chefes de Estado-Maior, em Abril, um prazo de apenas 24 horas para analisar aquele projecto de diploma, com influência directa na instituição militar. A resposta seguiu três dias depois, dado "as chefias militares não abdicarem de se pronunciar".
_________________####_____________________
A SER VERDADE, REGISTE-SE A CONSTATAÇÃO DUMA CRUEL VERDADE E DUMA INFELIZ REALIDADE, SOMOS SOBERANOS NUM PAÍS ONDE OS REPRESENTANTES (DE NINGUÉM, SIM OS POLÍTICOS HOJE REPRESENTAM QUEM?), FAZEM O CONTRÁRIO DO QUE PROMETERAM E NAS COSTAS DO POVO E PELA CALADA DA NOITE.
Basta.... está na hora de por termo a isto.
Senhores Responsáveis Militares "ASSUMAM-SE...!, DÊM BRIO AO ALTO CARGO QUE OCUPAM E ASSUMAM AS RESPONSABILIDADES E RETIREM AS CONSEQUÊNCIAS...! NÃO PERMITAM QUE NOS CONTINUEM A MALTRATAR...!"

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

ASSUNTO DO PRESENTE COM IMPORTÂNCIA NO FUTURO



SATISFAZENDO UM PEDIDO, PORQUE O ASSUNTO MELINDRA A MINHA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA AQUI SE PUBLICA O TEXTO DUMA PETIÇÃO EM CIRCULAÇÃO, VISANDO A PROTECÇÃO DAS CRIANÇAS.

"SE NÓS ADULTOS DE HOJE NÃO NOS IMPORTARMOS COM AS CRIANÇAS DE HOJE, NÃO PODEMOS ESPERAR QUE OS ADULTOS DE AMANHÃ (HOJE CRIANÇAS) SE IMPORTEM COM OS IDOSOS DO AMANHÃ (HOJE NÓS)..."


To: Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelência

No exercício do direito de petição previsto na Constituição da República Portuguesa, verificado o cumprimento dos pressupostos legais para o seu exercício, vêm os signatários abaixo assinados, por este meio, expor e peticionar a V. Exa. o seguinte:

Somos um conjunto de cidadãos e de cidadãs, conscientes de que o abuso sexual de crianças não afecta apenas as vítimas mas toda a sociedade, e de que “a neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado” (Elie Wiesel).

Estamos unido(a)s por um sentimento de profunda e radical indignação contra a pedofilia e abuso sexual de crianças, de acordo com a noção de criança do art. 1.º da Convenção dos Direitos da Criança, que define criança como todo o ser humano até aos 18 anos de idade, e partilhamos a convicção de que não há Estado de Direito, sem protecção eficaz dos cidadãos mais fracos e indefesos, nomeadamente, das crianças especialmente vulneráveis, a viver em instituições ou em famílias maltratantes.

Os direitos especiais das crianças são dotados da mesma força directa e imediata dos direitos e liberdades e garantias, previstos na Constituição da República Portuguesa, nos termos dos arts. 16.º, 17.º e 18.º da CRP e constituem uma concretização dos direitos à integridade pessoal e ao livre desenvolvimento, consagrados nos arts 25.º e 26.º da CRP, e do direito da criança à protecção do Estado e da sociedade (art. 69.º da CRP).

Indo ao encontro das preocupações reveladas por V. Exa. relativamente às investigações em curso sobre crimes de abuso sexual de crianças a viver em instituições, e também ao anterior apelo de Vossa Excelência para que não nos resignemos e que não nos deixemos vencer pelo desânimo ou pelo cepticismo face ao que desejamos para Portugal, sendo que é dever do Estado de fiscalizar a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e outras instituições de reconhecido interesse público (art. 63.º, n.º 5 da CRP) e de criar condições económicas, sociais, culturais e ambientais para garantir a protecção da infância, da juventude e da velhice (art. 64.º, n.º 2, al.d) da CRP), vimos requerer a intervenção de V. Exa, através de uma mensagem à AR, ao abrigo do art. 133.º, al. d) da CRP, para a concretização dos seguintes objectivos:

1) A criação de uma vontade política séria, firme e intransigente no combate ao crime organizado de tráfico de crianças para exploração sexual e na protecção das crianças confiadas à guarda do Estado;

2) O empenhamento do Estado, na defesa dos direitos das crianças em perigo e das crianças vítimas de crimes sexuais, em ordem a assegurar a protecção e a promoção dos seus direitos;

3) O estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que assegurem o respeito pela dignidade e necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal, que evitem a vitimização secundária e o adiamento desnecessário dos processos, e que consagrem um dever de respeito pelo sofrimento das vítimas, nos termos dos arts. 8.º e 9.º do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os direitos da criança, relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis, documento ratificado pelo Estado Português, nomeadamente:
a) Proibição de repetição dos exames, dos interrogatórios e das perícias psicológicas;
b) O direito da criança à audição por videoconferência, sem «cara a cara» com o arguido;
c) O direito da criança se fazer acompanhar por pessoa da sua confiança sempre que tiver que prestar declarações;
d) Formação psicológica e jurídica especializada da parte das pessoas que trabalham com as vítimas, de magistrados e de pessoas que exercem funções de direcção em instituições que acolhem crianças, assim como de funcionário(a)s das mesmas;
e) Assistência às vítimas e suas famílias, particularmente a promoção da segurança e protecção, recuperação psicológica e reinserção social das vítimas, de acordo com o art. 39.º da Convenção sobre os Direitos da Criança e o art 9.º, n.º 3 do Protocolo Facultativo à mesma Convenção relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis;
f) Uma política criminal que dê prioridade à investigação de crimes de abuso sexual de crianças e de recurso ao sexo pago com menores de 18 anos;
g) Proibição da aplicação de pena suspensa ou de medida de segurança em regime aberto ou semi-aberto (ou tutelar educativa, no caso de o abusador ter menos de 16 anos), a abusadores sexuais condenados;
h) A adopção de leis, medidas administrativas, políticas sociais e programas de sensibilização e de informação da população, nomeadamente das crianças, sobre a prevenção da ocorrência de crimes sexuais e sobre os seus efeitos prejudiciais, no desenvolvimento das vítimas;

4) Proibições efectivas da produção e difusão de material que faça publicidade às ofensas descritas no Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da Criança.

Requeremos a Vossa Excelência, que num discurso solene, dirigido às crianças, as cidadãs mais importantes do nosso país, assuma, para com elas, estes compromissos, prestando uma manifestação de solidariedade para com o sofrimento das vítimas, pois como disse Albert Camus “não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento”.

Sincerely,

domingo, 25 de novembro de 2007

O HOMEM E A HISTÓRIA


DADA A IMPORTÂNCIA DO CIDADÃO, DOS SEU SIMBOLISMO HISTÓRICO, AQUI DEIXO EXCERTOS DUMA ENTREVISTA DADA PELO CORONEL JAIME NEVES AO CORREIO DA MANHÃ

Trinta e dois anos depois do 25 de Novembro, está desiludido com o que se passou até agora? Valeu a pena fazê-lo?


Confesso que estou desiludido. O País está mal. Estamos mal. Mas não estou arrependido, isso não. Não foi para isto que fizemos o 25 de Novembro. Mas voltava a fazer o 25 de Novembro. De resto, eu também fiz o 25 de Abril convicto. Eu vim de África em Dezembro de 1973. Sabia vagamente o que se passava e quando o Otelo me contactou eu disse-lhe logo que não valia a pena falar muito porque eu ia.

- Mas agora está desiludido porquê?


- A primeira grande desilusão começou logo a seguir ao 25 de Abril e até ao 25 de Novembro. Eu fiquei aqui em Lisboa com 500 homens, com duas companhias de caçadores, porque não havia mais e eu corria a tudo.


- Fazia de pronto-socorro?


- Era.


- Foi um período complicado? De 1974 até 1975?


- Repare que o Regimento de Comandos foi criado em Julho de 1974. Deixaram que eu chamasse 300 convocados, pessoal que esteve comigo em África. Não imagina o que foi. Todos a falar de nós, muitos contra nós, políticos e não políticos. E eu andava ali a apagar incêndios. Mas sabe que os grandes responsáveis de tudo foram os militares esquerdistas, os comunas, como nós lhes chamávamos.

- Tentaram saneá-lo do Regimento de Comandos pelo menos uma vez.


- Foram dezassete. Eram bons. Dezasseis furriéis e um alferes. Numa noite tomaram conta dos soldados, fecharam o armamento todo e o Otelo, que chegou nessa noite de Cuba, foi ao Regimento. Falou um minuto e meio com dois deles e veio dizer que o “Jaiminho tinha perdido a confiança dos seus homens”.

- Essa frase ficou na história do PREC.


- Pois ficou. Sabe que os furriéis disseram-me depois que foram chamados ao Cunhal e que ele lhes garantiu todo o apoio caso o golpe falhasse.


- Três dias depois voltou.


- O Otelo viu que eles não queriam dar-lhe o Regimento. Era para o Partido Comunista. E chamou-me. Decidiu voltar a trás. E voltei. Choraram e tudo. Foi tudo preso. Mas o Otelo fez coisas inacreditáveis comigo. Apesar de saber que eu tinha a unidade mais forte do COPCON.


- Afinal quem é provocou o 25 de Novembro. O Partido Comunista? Ou o Grupo dos Nove?


- Não é a preto e branco. Houve movimentos de ambos os lados. A verdade está aí pelo meio. Não foi fácil. Foram tempos difíceis.


- E que opinião tem de Costa Gomes?


- Bem, sabe que às vezes não gosto de falar disso. Mas o general Costa Gomes, por exemplo, foi condecorado em 1973 em Angola pela PIDE. Águia de ouro.


- Foi uma desilusão para si? Todo o papel que teve no chamado PREC?


- Tudo. Não é por acaso que tinha como alcunha entre nós “o rolha”.


- Mas no 25 de Novembro ficou ao lado dele, respeitou a cadeia de comando que acabava no general Costa Gomes, chefe de Estado e das Forças Armadas?


- Fiquei. Ele é que estava lá. Lembro-me que no dia 24 de Novembro foi lá uma delegação de oficiais, entre os quais ia eu, e se não me seguravam eu matava-o. Atirei-me a ele, agarrei-lhe o pescoço, até o matava. Porque ele não queria assumir nada.


- A responsabilidade pelas operações militares?


- Não queria. Só dizia que os outros eram coitadinhos e por aí adiante.


- Costa Gomes estava hesitante?


- Cheio de medo. Cheio de medo. Era mesmo o “rolha”. Lembro-me daquele caso do capitão cubano, o Peralta, que estava preso no Hospital da Estrela. E um dia os grupos de extrema-esquerda fizeram lá uma manifestação para o soltarem. E o Costa Gomes chamou-me e disse-me, em nome da Junta de Salvação Nacional, para ir lá e afastar aquela gente dali. Deitaram-se no chão para não nos deixarem passar. Mas sabe que eu exigi ao Costa Gomes que me escreve a ordem. Que eu podia usar os meios necessários para a missão.


- Por escrito?


- Sim. E ele, ao fim de quinze minutos, lá escreveu que eu podia usar os meios necessários, todos, mas só de fossem mesmo precisos. Veja lá um general dar uma ordem destas a um militar.


- E não lhe disse nada por estar a exigir a ordem por escrito?


- Perguntou-se se eu não confiava na palavra dele. E eu disse-lhe que não.


- Voltando ao 25 de Novembro. Acha que tinha condições para ir mais longe e não ter ficado, digamos assim, com o trabalho a meio?


- Não vou esconder que eu ia mais longe.


- E porque foi para a reserva em 1981?


- Eu fui nomeado para o curso de oficiais generais. E disse ao Pedro Cardoso para me poupar. Ia para a reserva. Para o curso não ia. Porque a primeira vez que deixasse de lidar com tropas eu morria. O Pedro Cardoso saiu, entrou o Garcia dos Santos, eu fui de férias e esperei que me chamasse. Um dia soube que tinham nomeado já alguém para o Regimento de Comandos, o coronel Oliveira. O Garcia dos Santos mandou-me chamar e eu, que já sabia de tudo, pedi-lhe uma folha de 25 de linhas escrevi o meu pedido de passagem á reserva.


- Acabaram com os comandos em 1993 e anos depois, em 2002, voltaram a criá-los. Porquê?


- Olhe, ainda agora, em Beja, está decorrer a formação de uma companhia de comandos. Agora estão em Mafra. Já dizem que voltam para a Carregueira. Deixei o regimento em 1981, com boas instalações militares na Amadora. Fizeram para lá gabinetes, gastaram ali milhares de contos para instalar bidés para as senhoras. Eu acho que têm direito. Como os homens. Agora transformar um quartel genuíno com gabinetes, sinceramente. O futuro dos comandos não está definido. Mas são muito importantes. Veja o que fazem no Afeganistão, por exemplo. São uma tropa cada vez mais essencial nos tempos que correm e fundamentais para os objectivo estratégicos de Portugal.


- Quando foi do 11 de Março o general Spínola tentou que o senhor aderisse?


- Tentou falar comigo ao meio-dia, já depois de ter havido a confusão toda. Eu dizia que quando fosse preciso só precisava de quatro horas para estar pronto. Não era fácil ter um Regimento de Comandos na Cintura Industrial, vigiado constantemente, com manifestações quase todos os dias. Só tivemos uma de apoio, feita pelo PS da Amadora, liderado por Andrade Neves, o primeiro presidente da Câmara da Amadora. Nem o PSD fez nada. Quando fui saneado telefonaram-me a dizer que era do PSD da Amadora. Eu perguntei quem era, nunca tinham falado comigo. Desligaram.


- E o Spínola? Como é que falou consigo?


- Eram onze e quinze da manhã de 11 de Março quando entrei no Regimento. Havia uma grande agitação no País. Está lá o Almeida Bruno e diz-me que o Spínola queria fazer uma intentona. Tens uma missão que já devia ter sido cumprida. Eu também não concordo, mas vê lá. Chamei os oficiais superiores, majores, capitães e pedi ao Bruno para repetir o que me tinha dito. Estava nessa altura a acontecer o ataque ao Ralis. Ouvimos uns tiroteios. E como eu tinha uma grande consideração pelo coronel Morgado, que era o comandante da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, agarrei no telefone e perguntei-lhe o que se passava.


- Uma grande confusão, não?


- Disse-me que tinha ido lá o Monge mas que a Cavalaria não saía. Pouco depois do meio-dia tocou-me o telefone e era o António Ramos a dizer-me que o “velho” queria falar comigo. E a conversa foi esta: “Ó Neves, então como é que vai a tua missão?”. E eu respondi-lhe: “Mal qual missão?”. E lá me falou no Bruno e no Monge e que queria meter-se no helicóptero e chegar a Lisboa à frente da Cavalaria. E eu perguntei-lhe: “Qual Cavalaria? A Cavalaria não saiu”. Diz-me o Spínola: “Não me digas que fui enganado”. E a minha resposta foi rápida: “Passa a vida a ser enganado”. Foi de helicóptero mas para Espanha.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007



Em homenagem àqueles (e muitos são) que não se conformam com a verdade incómoda, aqui deixo uma cópia duma postagem sobre a "Pedofilia na Casa Pia" retirada do blog: commonsense.blogs.sapo.pt

SIMPLESMENTE NOTÁVEL, quer no aspecto formal quer, especialmente, no substantivo.



Com este post começa uma campanha. Sim, uma campanha, que vai ser sistemática e permanente, duradoura e incómoda, de ou vai ou racha, para não deixar que o caso Casa Pia fique em águas de bacalhau.

Nesta campanha, vou apelar, ao Presidente da República, esmolar, exigir, chatear, solicitar, requerer, implorar. Vou também respondabilizar o Presidente da República por que se faça justiça no caso Casa Pia.

Porquê ao Presidente?

Porque se está a caminho de o abafar o caso Casa Pia

Porque já não há imprensa livre nem oposição que não o deixem adormecer

Porque é o mais hediondo crime cometido em Portugal durante a minha vida

E também - last but not least - porque o mais culpado dos réus no caso Casa Pia é a República Portuguesa.

Foi a República Portuguesa que tirou crianças de casa, supostamente porque tinham situações familiares más, para as meter naquele inferno.

Foi a República Portuguesa que permitiu que se montasse na Casa Pia aquele inferno

Foi a República Portuguesa que permitiu que nela se mantivesse aquele inferno

Foi a República Portuguesa, através daquele Ministro e daquele Secretário de Estado que geriu a Casa Pia e permitiu que se instalasse nela uma aberrante e hedionda máquina de pedofilia e de tráfego sexual de crianças.

Foi a República Portuguesa, através do seu Parlamento que acabou de legislar alterações aos Códigos que dificultam que se faça justiça no caso Casa Pia e foi o mesmo Parlamento que recebeu em triunfo o inacreditável Pedroso.

É a República Portuguesa, com o seu Tribunal e a sua Juíza tíbia que se prepara para branquear os crimes e os criminosos do caso Casa Pia.

O Presidente da República é o presidente da ré.

Não pode deixar de fazer tudo o que estiver ao seu alcance - e é muito o que está ao seu alcance - para não permitir que se consuma o branqueamento do caso Casa Pia.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

NOSTALGIA E TOURADA


Em memória dos tempos idos, em memória do Portugal patriota, em memória dos feitos de ontem; contra o Regime vigente, contra a Abstinência moral, contra a Miséria, Fome e Pobreza: eis um momento de nostalgia - superiormente - ilustrado através duma Fábula da autoria de David Nasser (livro Portugal, Meu Avozinho).


Boa noite senhor touro.

Boa noite senhor toureiro.

Sabe o meu nome?

Sei apenas que nascemos no Ribatejo.

Aprendemos juntos.

Vosmicê a arte de ferir.

E vosmicê a arte de fugir.

Agora aqui estamos – um cavalo, um touro e um homem – a divertir uma multidão de imbecis.

Ouça como eles urram.

Mas a tourada é o nosso destino. Quando o avistava, menino ainda, nos vampos de Santarém, dizia com a minha experiência de garrote de boa linhagem: eis aí uma pinta de toureiro. Um dia nos defrontaremos.

E eu, ao vê-lo como um pequeno deus, olímpico, a pisar a grama, pensava o mesmo.

Afinal, encontramo-nos.

Aqui em Santarém.

Ouça como eles berram.

São uns parvos.

Querem emoções, senhor touro.

Tê-las-ão.

Sou um touro português.

Qual a diferença?

Já assistiu a alguma tourada em Espanha? Ou no México?

Nunca saí de Portugal.

Uma carnificina. Alguém classificou aquele espectáculo de covardia de açougue.

Por acaso matam o touro?

Matam? Espetam-no como se fosse uma vaca.

A frio?

A ferro. Depois de toda a luta, depois das bandarilhas, enfiam-lhe pelo dorso a lâmina assassina.

Porquê?

Ora, é a apoteose do homem.

Que fazem do cadáver?

Primeiro, se foi touro decente...

Touro decente? Que negócio é esse?

Sim, touro lutador, impávido, é aquele que honra a sua raça e cai lutando. Se o animal é deste tipo...

A que animal se refere? Ao quadrúpede ou ao bípede?

Ao bisonte, naturalmente. Se ele é valente, merece a graça de ter as orelhas cortadas, depois de morto. E ofertadas ao dono da festa, exibidas ao público ululante, e como trofeus sangrentos.

Não vejo a graça. E quando morre o toureiro, cortam-lhe as orelhas? Fazem a mesma coisa?

Não. Sem orelhas, a carcaça negra do animal vencido é arrastada miserávelmente pela arena, como a última homenagem ao povo que salta.

Nunca uma sociedade protectora de animais protestou contra semelhante espectáculo?

Acaso elas protestam contra o acto da morte?

Admitamos que em Portugal a cena é outra.

Nem por isso, contudo, oferece-se ao público menos emoções.

Lembro-me da descrição feita por um escritor português de uma tourada em Santarém, o animal irrompendo do couro, negro e luzidio, e o cavalo que o espera, nédio e nervoso entre as esporas do cavaleiro. Tudo produto da terra ribatejana. Só nela o puro-sangue...

O touro?

E o homem. Só nela um e outro podem encontrar o seu húmus, a virgindade dum solo que um deus ainda visita e fecunda. O touro, e o homem que o domina, não em luta desigual e traiçoeira, mas saltando-lhe para o lombo indomado ou recebendo-lhe a marrada impetuosa e cega no peito.

Real a imagem.

Veja o fim: na articulação dos três lados do triângulo – campino, cavalo e touro – conjugam as últimas forças viris que restam a Portugal dos tempos livres da natureza, das eras selvagens e testiculares que a civilização castrou. Homem e bicho, irmanados no mesmo ardor que o instinto desperta, encontram-se no terreiro que o sol da razão não ilumina.

Que diz mais o tal senhor?

Que é no Ribatejo o sítio do mundo onde esse embate é mais belo e natural.

Não vejo porquê. Falta o ponto-final. A morte.

Porque a luta, ali, não é para servir a nenhum senhor, ou distrair a atenção inqiuetante das massas. É um acto de coragem. Por sentir que o combate que vai travar não é um fruto do rancor, o campino veste-se de garridos trajes, ergue na mão um pampilho, o cetro de sua majestade, o símbolo de uma grandeza feita de graça e valentia, e quando soa na praça o clarim da refrega, é assim vistoso e confiado que ele se expõe. E o poeta chama de festa brava à lide gloriosa!

Excelente a descrição desse tauromaníaco português.

Esta é a tourada portuguesa onde o campino pode dar largas aos seus impulsos sem ferir o semelhante. A natureza conservou-lhe esse dom. O seu colete encarnado é uma mancha quente de sangue e de alegria a atrair a fúria das bestas. Num gesto voluntário de puro risco, a força humana lança o desafio, processa o gosto sensual de viver ou morrer em beleza no meio de uma paisagem aberta, fresca e generosa. E é bonito vê-la triunfar, dominar, e marcar a fera com a brasa da coragem que a venceu.

E assim termina.

Vamos, senhor touro?

Vamos, senhor homem


UMA REFREGA CONTRA O ESTADO A QUE ESTE PAÍS CHEGOU.

O CONTRADITÓRIO DA TOURADA À PORTUGUESA É USADA SEM RESSENTIMENTO, POIS NÃO É INTENÇÃO MINHA OFENDER ESTA PRÁTICA CULTURAL AINDA ENRAIZADA NO SUBCONSCIENTE COLECTIVO OU SEQUER AQUELES QUE DELA GOSTAM.

PELO CONTRÁRIO.

domingo, 11 de novembro de 2007

VERGONHA, VERGONHA E MAIS ... VERGONHA

Em solidariedade para com aqueles que são vítimas da Maldade:


"As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita».
Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.
A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.
O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias.
Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano.
Que vergonha!!!"


EIS UMA SITUAÇÃO LAMENTÁVEL E LASTIMÁVEL REAL E VIVIDA POR PESSOAS CONCRETAS NESTE PAÍS DA FALSIDADE.

Como forma de solidariedade aos ofendidos e como denúncia pública dum poder público (civil e militar) pútrido eis a razão desta postagem.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

HOMENAGEM À INOCÊNCIA




Peço desculpa aos concidadãos pelo curto post de hoje pois o objectivo dele é apenas e só "homenagear" uma criança, hoje com 7 anos de idade e que cresceu sob o "signo e o "ambiente" da Semântica Persecutória: o meu filho José António.
Uma criança que no seu processo de formação e crescimento em vez de ver e sentir paz, bem estar, acalmia, serenidade, pelo contrário via e vivia vendo o pai ser molestado injustamente, tendo de reagir dia e noite aos instintos duma perseguição pessoal e profissional que ninguém está capaz, ou autorizado sequer, a sentir.

E quando hoje, fruto da idade, me pergunta pelo "Senhor Comandante", o que é feito dele, onde está eu respondo - tentando esconder a mágoa que me tolhe - dizendo-lhe é "GENERAL" meu filho, mesmo sabendo que com isso irei despertar a sua curiosidade para muitas perguntas do género o que é ser general, porque é que não foi castigado, como se explica tudo isto, etc.

Ao meu José António presto através da epígrafe esta pequena homenagem: AMO-TE.