quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

A IMAGEM


Está na moda a definição duma IMAGEM DEMOCRÁTICA DO PAÍS, filiada na teoria da liberdade e da igualdade; enquanto isso a essência das coisas, o fundo do fáctico não o é.

Mas imagem ajuda à eficácia do Poder e isso é que conta, ou melhor conta mais do que os princípios normativos ou a realidade efectiva.

Mas para se fabricar esta imagem é preciso "comprar" os que a ajudam a fazer: jornalistas, não é verdade?

Assim é meu dever reproduzir um post do "Puxapalavra".



"Ter os jornalistas na mão...."

De um amigo militar, "capitão de Abril" dos mais destacados, já coronel reformado, recebi um email que circula no seu meio com pedido de divulgação. E eu divulgo.
Não consegui até ao momento confirmar esta situação da protecção social na saúde dos jornalistas (espero que algum ao ler-me deixe o seu comentário) e, a verificar-se, conhecer as razões ( ou falta delas) da decisão do Governo.
Ainda que com esta reserva e sem que desta vez possa acompanhar estes meus amigos nas suas presentes "lutas revolucionárias" aqui fica o seu grito d'alma:

"ESCANDALOSO!!!

Porque é preciso ter os jornalistas na mão....
Vejam a escandaleira deste governo!!!
O subsistema de saúde destes pardais é INTOCÁVEL! A caixa de previdência e abono de família dos jornalistas é dirigida por uma comissão administrativa cuja presidente é mãe do ministro António Costa (Maria Antónia Palla Assis Santos).
O inefável Ministro José António Vieira da Silva declarou em Maio último que esta caixa manteria o mesmo estatuto!
Regalias e compensações muito superiores às vigentes na função pública, SNS e os outros subsistemas de saúde. É só consultar a tabela anexa....
Mas este escândalo não será divulgado pela comunicação social, pelo que há que o divulgar ao máximo por esta via!"

E pronto. Aqui está.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

CURTO PAVIO


Ainda sou pequenino.

Comecei a escrever esta carta quando tinha 6 anos de idade.

Apesar de ser pequenino já percebo muito bem as coisas à minha volta e tenho muito orgulho no meu pai por ser um oficial do Quadro Permanente do Exército Português e por saber que doou a sua vida para nos defender a todos nós e para manter a integridade da nossa Pátria que tanto amamos.

Com ele brinco todos os dias mas noto que ele anda triste.

Não sei o motivo concreto da sua tristeza mas desconfio que tal se deve ao seu estado de espírito, que aliás tenta a todo o custo esconder-me. Julgo que a sua tristeza provém de duas razões convergentes, uma do foro moral e outra do sanitário. Ainda não conheço os pormenores dos preceitos da formalidade por isso falo na primeira pessoa do indicativo.

E com isso vou tentar concretizar uma denúncia pública.

Sei que a vida do meu pai tem sido pior do que o pior libelo.

Como cidadão e especialmente como militar sob cuja condição doou a vida à Pátria vejo-o ser tratado de forma indigna e desumana. Desrespeitam-no persistentemente, e persistentemente violam-lhe os mais elementares Direitos Militares e de Cidadania.

De quando em vez, dou por mim a perguntar aos meus irmãos mais velhos porque é que o Pai sofre tanto. A resposta deles é supra relevante, dizem-me que também eles, na minha idade, sentiram o que eu hoje sinto, pois raramente viam o pai enquanto cresceram, estava sempre em Lisboa a cumprir um deslocamento.

Embora sendo uma criança ainda, não percebo porque existe essa espécie de insanidade social, essa desorganização estrutural que o obriga a ter, com alta frequência, de prestar serviço longe do agregado familiar. Para tudo deverá haver uma explicação razoável, excepto para explicar a desorganização social crónica vigente, ou para atenuar a forma leviana como o meu pai tem sido ofendido.

Por considerar que a coisa já ultrapassou os limites do razoável, e o âmbito familiar, vou aproveitar a missiva para estender a minha denúncia a outras considerações subjectivas e objectivas que julgo pertinentes para servir de tradução ao debilitado e ofendido estado de alma do meu progenitor.

Com efeito, desde há alguns anos a esta parte que o meu pai tem vindo a ser directa ou indirectamente, e de forma progressiva, dorido pela (ir)responsabilidade pública, pela falta de humanismo dos serviços do Estado, pelo descarinho do Príncipe e ainda pela acção directa duma Chefia Militar tolerante com a prepotência e a injustiça, venerando a incompetência.

Esta teia da incompetência estendeu-se a todas estruturas e sub-estruturas do Poder e, contra a vontade do soberano, dum modo transversal, estilhaçou a dignidade da Nossa Comum Querida e Amada Pátria, transformando o inocente soberano numa Minoria, infeliz, injustiçada e institucionalmente indefensável.

E, nem que este desabafo se definhe num descosido monólogo, o que é o mais provável atendendo às rugas da experiência que vejo na cara do meu pai, e que sinto quando o beijo, o certo é que no meu pequeno cérebro e a minha limitada percepção, ainda que emocionalmente afectada pelas aberrações sofridas pela pessoa que tanto amo, paira a sensação de que a tentação da, e para a, ilicitude ultrapassou o normal e tolerável patamar da paciência individual.

E, mesmo sob a penúria da minha curta experiência de vida, já percebi que, anteriormente ao meu nascimento, existe uma Causa única e responsável pelos males que a nação padece e que, entre outros instrumentos, utiliza o estrutural facilitismo (radicalista e xenófobo) como ataque moral e material ao Brilhantismo do passado e da História duma das mais antigas e nobres nações, que tanto contributo deu, e tanto mérito granjeou, para a História Universal da Civilização.

Agora já fiz oito anos, mas nada mudou.

Segundo me apercebo a nossa Pátria-mãe está contaminada, espiritualmente poluída e fisicamente doente, muito doente mesmo.




domingo, 23 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDE E BOAS FESTAS




É Natal, período de paz, harmonia e concórdia, mas também de balanço. Hoje lembrei-me de ressuscitar um normativo já falecido (revogado) e que seguramente tanta FALTA fez aos desprotegidos.

Ei-lo:

As Forças Armadas Portuguesas são parte do povo e identificadas com o espírito do Programa do Movimento das Forças Armadas, asseguram o prosseguimento da Revolução de 25 de Abril de 1974.

Artigo 273.º da Constituição da República Portuguesa proclamada em 1976



A todos os portugueses de bem, que ainda os há, desejo um santo natal e um ano cheio de prosperidades pessoais e profissionais.


sábado, 22 de dezembro de 2007

VOCAÇÃO MERCANTILISTA?




De acordo com a Lei do Orçamento do Estado para 2006, “carece de parecer favorável do ministro responsável pela área das Finanças e da Administração Pública [...] o despacho relativo à admissão de pessoal para o ingresso nas diversas categorias dos quadros permanentes das Forças Armadas”. O incumprimento desta norma por parte do próprio Governo deixa assim os 232 cadetes que ingressaram este ano na Escola Naval, na Academia Militar e na Academia da Força Aérea em situação irregular e sem certezas de que no final do curso podem entrar no quadro permanente das Forças Armadas.

Contactado pelo Correio da Manhã, o gabinete do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou não ter conhecimento sobre se foi emitido algum parecer e recusou comentar o assunto. Por outro lado, o Ministério da Defesa justificou o ingresso dos cadetes nos respectivos cursos sem a devida autorização com o facto de “tal como nos outros estabelecimentos de ensino existirem prazos para o início dos anos lectivos”. O número de vagas, segundo acrescentou o gabinete do ministro Severiano Teixeira, “foi estabelecido com base numa projecção das necessidades de cada ramo”.

Os concursos para admissão de voluntários à frequência dos cursos nos três ramos das Forças Armadas foram lançados entre Junho e Julho deste ano. Segundo apurou o CM, foram admitidos um total de 232 cadetes. A maioria entrou para a Academia Militar: 137 cadetes ingressaram no Exército, embora parte deles venha a ser colocada na GNR.

Já na Marinha, segundo o gabinete do Chefe de Estado-Maior da Armada, almirante Melo Gomes, foram admitidos 61 cadetes, de um total de 640 candidatos. Os cadetes foram distribuídos por quatro classes: 36 na Marinha, quatro na Administração Naval, 16 engenheiros navais (oito no ramo mecânica e oito no ramo armas e electrónica), três fuzileiros e dois médicos navais.

Na Academia da Força Aérea foram preenchidas as 34 vagas para o curso de Ciências Militares e Aeronáuticas: 20 pilotos aviadores, dois em Engenharia Aeronáutica, três em Engenharia Electrotécnica, dois em Engenharia de Aeródromos, quatro em Administração Aeronáutica e três em Medicina.

No final do curso os cadetes entram para os quadros permanentes das Forças Armadas. No entanto, até 31 de Dezembro próximo o Governo condicionou o acesso aos quadros permanentes dos ramos a um parecer favorável do Ministério das Finanças, que determina se há disponibilidade orçamental.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

POLÍTICA DE DEFESA E MISSÃO DAS FORÇAS ARMADAS




Constituem objectivos da política de defesa: a garantia da independência nacional, da integridade do espaço territorial, da liberdade e da segurança dos cidadãos e da salvaguarda dos interesses nacionais, como também, no quadro de uma segurança cooperativa, a participação activa na produção de segurança internacional e, em particular, em missões internacionais de gestão de crises, de carácter humanitário e de apoio à paz.

O novo quadro de segurança internacional e a resposta adequada da política de Defesa Nacional apontam, necessariamente, para uma concepção mais larga da segurança e uma concepção mais integrada da política defesa com reflexos inevitáveis na doutrina estratégica e operacional, na definição das estruturas de comando e controlo e nas próprias missões das Forças Armadas.

No novo quadro de segurança internacional e considerados os objectivos da política de defesa, as áreas de interesse estratégico nacional e as organizações internacionais e sistemas de alianças a que Portugal pertence, as missões das Forças Armadas Portuguesas devem ser adequadas a este novo quadro e corresponder às suas prioridades.

Para além das missões tradicionais, as Forças Armadas deverão participar, prioritariamente, em missões internacionais de natureza militar, nomeadamente no sistema de defesa colectiva da Aliança Atlântica e na Política Europeia de Segurança e Defesa. E em missões internacionais de apoio à política externa, designadamente, de gestão crises, de natureza humanitária e de manutenção de paz, no quadro das organizações internacionais de que Portugal é membro, nomeadamente a ONU, União Europeia, OTAN, a OSCE e a CPLP.

As Forças Armadas deverão, igualmente, assumir a sua parte nas missões de luta contra o terrorismo transnacional em quadro legal próprio e em coordenação com os instrumentos internos para esse combate, nomeadamente as Forças e Serviços de Segurança.

As Forças Armadas devem continuar a executar missões de interesse público, designadamente de busca e salvamento, fiscalização marítima e de apoio às populações em especial na prevenção e combate aos fogos florestais e em situação de catástrofes naturais, de forma supletiva enquadrada e coordenada com os bombeiros e protecção civil.

Finalmente, as Forças Armadas deverão manter o empenhamento nos projectos e programas de Cooperação Técnico Militar com os Países Africanos de Expressão Oficial Portuguesa.



PROGRAMA DO GOVERNO, IN



PORTUGAL CONDENADO





A recente promulgação do novo regime de responsabilidade civil extra-contratual do Estado não evitou a condenação de Portugal ao pagamento de uma multa, num acórdão ontem divulgado pelo Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, no Luxemburgo.
O Presidente da República promulgou no passado dia 10 o novo regime de responsabilidade civil, já fora dos prazos do tribunal, que condenou Portugal no “pagamento das despesas”. “Não tendo aprovado, no prazo estabelecido, as medidas legislativas, regulamentares e administrativas necessárias para dar cumprimento à directiva, a República Portuguesa não cumpriu as obrigações que lhe incumbem por força da mesma”, diz o acórdão a que a Lusa teve acesso. Primeiro de Janeiro, in

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

POSCÉNIOS NORMATIVOS


CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Artigo 21º
(Direito de resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.



Porque recusamos pensar, e admitir, que a nossa Lei fundamental seja uma espécie de oralidade normativa, algo que soe bem independentemente da repercussão prática, neste sentido vamos dedicar um pouco da nossa atenção sobre esta estatuição.

Diz a constituição que os portugueses, todos os portugueses, têm o direito de resistir pela “força” a qualquer agressão o que significa que cada um de nós dispõe de “meios”, “formação” e “organização” para, em caso de capitulação das forças convencionais e formais, passar à resistência Activa ao uso da Força para repelir a agressão e expulsar o inimigo.

Crendo, como creio, que a Constituição não deve ser um normativo puramente formal, então é verosímil sentir que essa capacidade (meios, formação e organização) existe em cada um de nós, como não sei, mas que existe lá isso existe.

Ou será que não?

Outrora, quando o serviço militar era obrigatório, talvez fosse possível presumir tal assumpção, mas hoje em dia, hum…!

A bem da Pátria

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

DESCUBRA AS DIFERENÇAS NORMATIVAS


A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA

Artigo 270º

(Restrições ao exercício de direitos)

A lei pode estabelecer, na estrita medida das exigências próprias das respectivas funções, restrições ao exercício dos direitos de expressão, reunião, manifestação, associação e petição colectiva e à capacidade eleitoral passiva por militares e agentes militarizados dos quadros permanentes em serviço efectivo, bem como por agentes dos serviços e das forças de segurança e, no caso destas, a não admissão do direito à greve, mesmo quando reconhecido o direito de associação sindical.

LEI DEFESA NACIONAL FORÇAS ARMADAS

Artigo 31.º

(Rrestrições ao exercício de direitos)

Os militares em efectividade de serviço dos quadros permanentes e em regime de voluntariado e de contracto gozam dos direitos liberdades e garantias constitucionalmente estabelecidos, mas o exercício do direito de expressão, reunião, manifestação, associação e petição colectiva e capacidade eleitoral passiva ficam sujeitos ao regime previsto nos artigos 31.º-A, a 31.º-F, nos termos da constituição.


A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA

Artigo 13º

(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

O ESTATUTO MILITARES FORÇAS ARMADAS

Artigo 18.º

(Direitos, Liberdades e Garantias)

1. O militar goza de todos os direitos, liberdades e garantias reconhecidos aos demais cidadãos, estando o exercício de alguns desses direitos e liberdades sujeito às restrições constitucionalmente previstas, com o âmbito pessoal e material que consta da LDNFA.

2. O militar não pode ser prejudicado ou beneficiado em virtude da ascendência, sexo, raça, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, situação económica ou condição social.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

FORÇAS ARMADAS CONCORREM COM A CONSTRUÇÃO CIVIL?


O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, afirmou, ontem, que está a ser equacionada a hipótese de em breve as raparigas passarem a ser obrigadas a participar no Dia da Defesa Nacional, tal como já acontece com os rapazes de 18 anos. O ministro, que esteve ontem presente na Base Aérea de Ovar, em mais um Dia da Defesa Nacional, admitiu que a adoptar-se tal medida, terá de ser feita de forma progressiva e prudente, estando para já a ser estudada do ponto de vista técnico e orçamental.
Recorde-se que o recenseamento militar das mulheres passará a ser obrigatório a partir do próximo ano, isto no âmbito do programa Simplex, justificando assim que também elas passem a participar no Dia da Defesa.
Ontem, perante cerca de 100 jovens de Mangualde, Satão e Vila Nova de Paiva, Nuno Severiano Teixeira, insistiu nas vantagens de ingressar nas Forças Armadas. Apesar de admitir tratar-se de uma carreira que envolve "algum risco", permite uma qualificação profissional que depois pode ser muito útil "lá fora", no mercado de trabalho, disse.
Severiano Teixeira adiantou ainda que desde 2004 cerca de 150 mil jovens passaram já pelos 11 Centros de Divulgação de Defesa Nacional espalhados por todo o pais e ilhas. Mais só neste ano, 12% dos jovens que estiveram presentes nos quartéis a conhecer as actividades e o papel das Forças Armadas inscreveram-se como voluntários ou para o regime de contratados. À tarde, o ministro pôde mesmo conhecer alguns desses jovens que já estão a participar nos cursos de instrução de 12 semanas, desta feita no Centro de Instrução do Regimento de Artilharia nº 5, em Gaia.
Entre os que ontem estiveram presentes nas cerimónias, encontrava-se um pouco de tudo. Leonel Faria, por exemplo, garantia estar decidido a entrar na carreira militar "Gostava muito de ingressar nos fuzileiros". Já João Pedro Marques, de Mangualde, dizia ao JN: "A carreira militar tem coisas que me seduz, mas o que eu quero é continuar os meus estudos de Engenharia Mecânica".

"Estou completamente decidido a ingressar numa carreira militar. Deixei de estudar e agora ando a trabalhar nas obras, o que decididamente não quero que seja o meu futuro."



in jornal de notícias, 18 de Dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

UMA QUESTÃO DE DIAGNÓSTICO


Saúde mental e doenças psiquiátricas


Situação actual



Informação limitada sobre doenças mentais

  • Estima-se que a prevalência de perturbações psiquiátricas na população geral ronde os 30%, sendo aproximadamente de 12% a de perturbações psiquiátricas graves, embora não existam dados de morbilidade psiquiátrica, de abrangência nacional, que permitam uma melhor caracterização do País.
  • Realizou-se, em 2001, o terceiro censo psiquiátrico, em todas as instituições públicas e privadas no Continente e Regiões Autónomas, apontando os seus resultados para uma predominância de depressões na consulta externa, de alterações associadas ao consumo de álcool na urgência e de esquizofrenia no internamento.

Depressão

  • A depressão pode atingir cerca de 20% da população, tendendo a aumentar, e é a primeira causa de incapacidade, na carga global de doenças, nos países desenvolvidos. Em conjunto com a esquizofrenia, é responsável por 60% dos suicídios.

Suicídio

  • Apesar das taxas baixas de suicídio, particularmente na população de idade inferior a 65 anos, em Portugal existem números elevados quando se combinam suicídio e causas de morte violenta e indeterminada.
  • O Alentejo tem as taxas de mortalidade por suicídio mais elevadas nos últimos 10 anos, só tendo sido ultrapassado pelo Algarve nos anos de 1990, 1992 e 1994, sendo a população masculina com idade superior a 75 anos a que mais se suicida.
  • Estima-se que para cada suicídio consumado existam 40 para-suicídios, se nos reportarmos exclusivamente aos casos observados nos serviços de urgência.
  • Actualmente, a tendência da mortalidade por suicídio e ferimentos auto-infligidos parece ser decrescente.

Esquizofrenia e outras perturbações psicóticas

  • No Censo Psiquiátrico de 2001, as esquizofrenias foram, no conjunto dos internamentos, das consultas e das urgências, as patologias mais frequentes (21,2%), sendo a principal causa de internamento (36,2%) e a terceira nas consultas (12,4%).
  • A demora média dos internamentos com diagnóstico de esquizofrenia, segundo os GDH referentes a departamentos e serviços de psiquiatria, foi, no ano de 2002, de 35,4 dias (sendo a demora média global dos internamentos psiquiátricos de 20,0 dias).

Prevalência elevada de stress

  • Não existem dados nacionais que nos permitam avaliar directamente a dimensão deste problema.
  • Relativamente ao resto da Europa, em Portugal, as mulheres consomem três vezes mais medicamentos indutores do sono.
  • Segundo o Inquérito Nacional de Saúde de 1998-199956, 7% dos homens e 18% das mulheres (15 anos ou mais) referiram ter tomado medicamentos para dormir, nas duas semanas anteriores à inquirição. Esta proporção aumenta de 14%, no grupo dos 45-54 anos de idade, para 28% no dos 85 anos ou mais.
  • Relativamente à perturbação de stress pós-traumático (PTSD), segundo um estudo recentemente realizado, numa amostra representativa da população portuguesa, com idade igual ou superior a 18 anos, havia uma taxa de prevalência de 7,9%, sendo a relacionada com situação de guerra de 0.8%57

Estes dados são oficiais, foram retirados do "plano nacional de saúde 2004/2010. Segundo se lê não surge diagnosticado como doença do foro psi aquela que "querem" impingir ao autor do blog.

A única doença do foro psiquiátrico que o autor do blog assume sofrer é:
1. Ser leal à Pátria (subjudice a seu juramento que mantém);
2. Respeitar o preceito constitucional;
3. Respeitar a condição militar, estatutariamente definida;
4. Respeitar e fazer-se respeitar pela hierarquia militar;
5. Dizer a verdade e ser-lhe fiel sempre;
6. Lutar contra a injustiça;
7. Resistir a toda e qualquer forma de tirania e prepotência expressa ou subtil;
8. Respeitar quem o respeita.



sábado, 15 de dezembro de 2007

REALIDADES MUTÁVEIS E OUTRAS METAMORFOSES


REALIDADES MUTÁVEIS E OUTRAS METAMORFOSES


Vivemos hoje na chamada era da informação, o momento histórico em que a mensagem se difunde à velocidade da luz, em que o globo se parece com um Regimento a cuja “parada” acedemos, em tempo real, e da nossa própria casa, um tempo em que a competência tecnológica debelou as fronteiras do impossível; embora pareça impossível não é, do sofá da nossa casa, em questão de segundos voamos até ao país do sol nascente e de novo, em segundos também, escolhemos sobrevoar Nova Iorque ou optar por visitar a belíssima e mítica cidade de Lhasa.

Tudo porque a moral tecnológica imolou as duas clássicas estruturas que diferiam a realidade: o espaço e o tempo, hoje a dimensão espacial é medida na razão do infinito e a temporal é medida ao segundo, não há hiato tangível entre os acontecimentos e a sua publicitação, onde quer que ocorram. Aliás em racicocínio jeito simplista poder-se-á dizer que, com a derrogação das velhas estruturas, a notícia passou a fazer parte do acontecimento.

No domínio do exercício do poder em geral e o do poder de decisão em particular vê-se ainda uma hermenêutica que já não se satisfaz com o clássico formulário, demais a mais porque hoje o subalterno dispõe duma espantosa capacidade de superintendência dos actos que lhe dizem respeito directo ou diferido.

A liberalização do saber e a consequente libertação do poder cognitivo armou e equipou o subalterno com novas capacidades funcionais, angariando deste modo capacidades que outrora não tinha e que uma certa mentalidade conservadora tende a postergar, refiro-me designadamente à capacidade e autonomia pessoal que o subordinado tem para monitorizar as acções (ou omissões) do subordinante, uma nova capacidade, ainda restritamente assimilada na cultura castrense, que acrescenta uma nova forma de assessoria autoreguladora pois o domínio da subordinância passa a reclamar as cedilhas de incúria, de hesitação, de lacuna, de ilegalidade, ou de irresponsabilidade contidas nas acções do subordinante.

A consciência da despersonalização do saber ofereceu-nos, falando como subordinado, a credenciação e a acessibilidade, outrora indiagnosticadas, e que, ora nos confere jusintendência sobre a virtude ou o anátema, o erro ou o acerto, o bem ou o mal.

A acareação com a nova moral racional parece ter confundido a velha, persistente e autoritária mentalidade, ungida de infalibilidade ora posta causa, e, que, vendo fugir o ónus dessa presunção, reage, sem esconder o ressentimento, utilizando a única arma que, conjunturalmente, consegue manter sob os auspícios da regulação caduca: a avaliação.

A avaliação, que nasceu como sistema, tanto pode servir os fins para que foi criada como permitir-se constituir-se num poder discricionário e de uso indevido.

Não se trata de inductil acusação trata-se duma telúrica constatação aquela que reconhece o Regimento como um sistema aberto onde todos se conhecem uns aos outros, e, consequentemente se avaliam mutuamente, onde ninguém se surpreende com aquilo que cada um é capaz de fazer ou dizer.

O reboco duma verdade até hoje inquestionável começa a estalar e a mostrar as suas fendas. E embora a competência formal para avaliar - por enquanto – esteja em exclusivo nas mãos da hierarquia, a real está disseminada por toda a parte, toda a prole, e não apenas a hierarquia, indiferentemente do galão, da divisa ou da patente rasa, afere, avalia e distingue o bom do mau desempenho, o mérito do demérito, pois os princípios reguladores são acessíveis a todos e a cada um. Basta levantar a cabeça para se contemplar, ao redor, distinção que a realidade não ostenta, ou vice-versa.

Em certo sentido, no mínimo no plano subjectivo, talvez caiba na presente reflexão aludir, evocar e aditar algumas das razões do disfuncionamento por todos anotado entre o idealizável e o realizável.

Para observarmos de perto a génese do problema em causa temos de recuar até ao dia derradeira aurora do voluntariado quando subitamente a conscrição é substituída pela proscrição.

A mudança foi radical, antes a moral patriótica dava coercitividade ao dever militar, o perfil de cidadania assentava numa cultura de conscrição, inquestionável, e que constituía a infra-estrutura do modelo de organização militar.

O movimento perpétuo emergente e a adesão a novos valores gerou um ambiente de saturação e incompatibilidade com os velhos estribos morais, e, se a isso adirmos uma conjuntura de tolerância sentia-se e via-se à distância as dores de agonia que assolavam a conscrição militar.

A morte da conscrição deixa a (velha) organização órfã do recenseamento, e, todas as orfandades provocam desadaptação, esta não podia ser diferente, o luto não se fez e o seu lugar foi ocupado pela depressão e pela angustia psicológica e física, cujos sintomas foram durante anos a fio, involuntariamente, escondidos por debaixo da semântica de parangonas como a reorganização, a reestruturação e a modernização, panfletariamente anunciadas e apoteoticamente acolhidas.

Mas a inadaptação era estrutural e tarde ou mais cedo haveria de vir à superfície.

O diagnóstico depressivo era real por isso gerou uma espécie de psicanálise colectiva que, a estatística de demissões (voluntárias ou impostas!) oferecem culminante testemunho.

Incapaz de acompanhar a mudança, a inércia fez escancarar as portas do associativismo e com ele a, consequente, revisão dos conceitos de fidelidade e de lealdade.

A estatística do indeferimento constitui outro idóneo indicador.

Julga-se que da velha estrutura, e correndo o risco de cometer algum exagero, já só vejo sobrar o Hino, a Bandeira, o Juramento e os Arrepios da Pele.

E enquanto a derrogação espiritual segue a sua caminhada irreversível, a material persiste em sobreviver contra a maré, a contratempo, daí a inépcia e com ela o Regulamento de Disciplina Militar, coitado nascido antes da primeira guerra mundial e recauchutado em 1977, sofre as demências das inconstitucionalidades expressas ou remissivas, o Código de Justiça Militar já foi sepultado, os Tribunais Militares foram desautonomizados, o crime essencialmente militar metamorfoseou-se numa sazonalidade contingencial e o Regulamento de Avaliação do Mérito dos Militares do Exército, que nasceu com o apoteótico propósito de avaliar competências, desempenhos e méritos é, mais vezes do que seria desejável, utilizado como substância incoactiva.

Treinada para nadar em águas amenas, a organização foi incapaz de reagir à tempestade da mudança, a quadrícula territorial dá lugar a fórmulas removíveis, as regiões militares definham, as brigadas nascem hoje, morrem amanhã; os comandos ora são funcionais, ora são hierárquicos, ora não são uma ou nem outra, os critérios para a ascensão na carreira e promoção variam ao ritmo da maré, os critérios para as colocações idem aspas.

Apesar de Portugal viver uma era de democracia e o seu normativo processual estar subjudice a uma constituição livre e democrática existem ainda “ilhas” de autoritarismo. A Instituição Militar, que tende a “democratizar-se”, ainda está objectivamente contaminada por uma certa ideia “militarista”, não democrática, um certo autoritarismo blindado ao contraditório, premiando ainda condutas poscenias e ,especialmente, suprida por uma tendência para o refúgio no secretismo funcional.

Uma realidade que obriga, mais vezes do que seria desejável, a que as virtudes militares, constantemente evocadas, acabem por ser distorcidas no seu real e mais profundo significado.

Pátria sempre.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Arca e dilúvio


Não sou do meio, nem conheço a cultura causídica, mas como cidadão deve dizer e acho que tenho uma palavra a dizer sobre o resultado das eleições para a Ordem dos advogados.

Através da antena e das ondas hertzianas habituei-me a ouvir com gosto as palavras do Dr. A Pinto.

Por isso acho que:

Venceu o Homem Certo, alvíssaras.

Venceu a voz da contestação, alvíssaras.

Venceu quem não se aliena nem deixa alienar, aleluia.

Venceu o Homem a quem um dia ouvi dizer “custa mais ser livre hoje que no regime de Salazar”, aleluia.

Venceu o direito à Informação dos que dela precisam.

Venceu quem sempre apontou os erros, vícios e a entropia.

Venceu quem sempre deu um Sinal da Mudança.

Graças a Deus que, como sempre pensei intimamente, alguém em algum lugar um dia iria surgir para pôr a mão nisto.

Eis senão quando o dilúvio na sua escalada de maldade estava prestes a tornar um País com Passado num Moribundo sem Futuro, o Espírito Santo decide intervir inspirando os doutos advogados a escolher o homem do Leme para dirigir a Arca da Salvação nacional.

Que a sorte esteja com o Dr. Marinho, que os Demónios não o tentem e que Deus o inspire a levar a nau a bom porto.

A Bem de Portugal

EU E A CAPITAL


O VENTO FEZ CONSTAR AO AUTOR DO BLOG QUE SUA EX.ª O PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA FEZ O OBSÉQUIO DE DEFERIR E CONCRETIZAR UMA AUDIÊNCIA PESSOAL COM O MAJOR DO EXÉRCITO JOSÉ ROCHA.

Porque apreciamos a atitude da PGR resolvemos entrevistar o Major sobre a efeméride.

Autor do Blog (AB) – Sr. Major confirma a notícia?

Major Rocha (MR) – Confirmo.

AB – Como decorreu a audiência?

MR – Correu muitíssimo bem, excedeu as expectativas.Não foi, obviamente a pessoa do PGR que me recebeu, foi um Exm.º ProcuradorAdjunto, cujo nome julgo não ter interesse revelar e que me recebeu como nunca em lado algum havido sido recebido, com respeito, muito afável, atencioso, humanista, e com muita humildade, paginas tantas até me esquecia que estava a falar com um alto signatário do Estado e da República. Um Procurador Adjunto que se comportou à altura do Alto Cargo, com respeito pelo cidadão, nem parecia um “procurador” no sentido formal e rígido do termo, mas antes um cidadão cortês, afável, humilde, que soube ouvir com toda a atenção o que tinha para dizer e melhor soube ainda responder com precisão técnica e sentido humanista.

Parabéns à PGR e que Deus ajude toda a equipa do Dr. Pinto Monteiro e a inspire a restaurar a Dignidade da Nação.

AB – E substantivamente foi produtiva a reunião?

MR – Muito mesmo. Estou certo que vão surgir desenlaces favoráveis.

AB – Então regressa ao Porto satisfeito?

MJ – Sim muito. Mas já agora devo acrescentar algo mais, primeiro tratou-se dum regresso à capital,da qual estava afastado desde há quatro anos,uma estadia de dois dias ainda por cima recheados de intensa actividade e inausita surpresa.

AB – Surpresas?

MJ – Sim, surpresas. Aproveitei a circunstância e a oportunidade e desloquei-me ao DIAP-Lisboa a fim de tomar conhecimento dos autos dum inquérito em que sou parte interessada.

AB – E então?

Sobre esta visita estou agradado com a recepção, os modos e procedimentos relacionados com a recepção, a cortesia e a amabilidade das pessoas, principalmente daquelas que exercem a actividade pública “SEM NOME”, que lá trabalham com respeito e carinho para com aqueles que delas se aproximam muitas vezes com receio.

É esta gente anónima que muitas vezes honra e fornece lustre a instituição.

Mas devo acrescentar que saí de lá triste, muito triste e revoltado. Abandonei o DIAP-Lisboa inundado de inquietação sobre o que vi, li e que julgava não vir nunca a ver ou a ler na matéria que pessoalmente me diz respeito.

AB – Ai sim, e porque ficou desiludido?

MJ – Sobre a substância nada mais poderei acrescentar pois sobre a matéria em causa impera o segredo de justiça.