sexta-feira, 21 de setembro de 2007

SEMÂNTICA PERSECUTÓRIA (cont. 56)


PURO SANGUE!

Concidadãos evoco o artigo 13.º da Constituição da República, que estatui o Princípio da Igualdade, para partilhar convosco esta minha curta reflexão.

Através deste é consagrado que “todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”, e ainda que “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

Projectemos este articulado no caso da nova lei orgânica da Guarda Nacional Republicana.

Começo por dizer que nada me move a “favor” ou “contra” esta prestigiada, e quase centenária, instituição e só acrescentto este dispensável preâmbulo porque sou militar do Exército e não quero ver este pensamento turvado ou contaminado de corporativismo.

Como sabemos, os Deputados da Assembleia da República, no âmbito e no exercício dos poderes que o Soberano lhes delegou, fizeram aprovar, recentemente, uma (nova) lei orgânica para a GNR. Mas esta imediatamente ficou “famosa”, quer pelo veto formal e legítimo do Excelentíssimo Presidente da República, quer ainda pelo, informal e ilegítimo, ruído criado por um segmento de concidadãos.

Em consequência deste veto presidencial os deputados acabam por dar “o dito por não dito”, desatando a satisfazer a vontade do Clube de Doridos, introduzindo radicais alterações à cópia original.

Sobre o primeiro “dito por não dito” isto é “a não atribuição da patente de General de quatro estrelas ao Comandante da GNR” e porque se trata duma questão de “galo” e de “capoeira” não produzo qualquer comentário.

Porém não posso calar a indignação sobre o segundo “dito por não dito”, isto é a negação de “acesso” ao generalato dos (actuais) Coronéis que guarnecem a GNR.

Trata-se dum facto que até seria puramente formal, pacífico e tolerante não fosse o caso de, a meu ver, se tratar duma flagrante INTOLERÂNCIA e duma lastimável DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA.

Os (nossos) deputados, deixando-se pressionar por uma velha e desgastada casta de privilegiados, não hesitaram em mandar para as Calendas Gregas um ínclito e nobre princípio constitucional (NINGUÉM PODE SER ….., EM RAZÃO …, INSTRUÇÃO … OU CONDIÇÃO SOCIAL).

E, caros concidadãos, sabem qual é a pertinência da casuística?

É a circunstância destes militares (Coronéis), caso a lei original fosse promulgada, virem a ascender ao séquito dos jubilados, ao generalato.

Por certo que nenhum ruído teria existido, não fosse dar-se o caso destes militares serem bastardos, isto é não terem saído da “vagina” da Academia Militar.

Assim, e apesar de terem patente e condições para ascender ao generalato tal foi-lhes vedado porque iam contaminar o “ADN académico”, a casta de eleitos, a elite de invencíveis.

É triste ver, e constatar, que neste Pais – DITO DEMOCRÁTICO –, e arreigadamente tradicionalista, por vezes no mau sentido, os “lobbies” têm poder para mexer os cordelinhos das decisões políticas.

É certo que haverá quem pense, e venha a aspergir, que o que se pretende é apenas e tão só “racionalizar” e “operacionalizar” a orgânica desta nobre instituição.

Mas também é certo que outros pensarão que no fundo, bem lá no fundo, trata-se de escudar uma fantasia dinástica.

Para terminar, e em jeito de nota de roda pé, acrescento que esta estirpe dorida que publicamente gemeu, e que no íntimo se sente ungida por um Deus académico, é a mesma que, no exercício de Altas Funções, não se repela em ofender e ferir um seu subordinado castrando-lhe o direito à VALORIZAÇÃO CULTURAL, com a agravante de aqui a lei (Estatuto) lhes incumbir a Tutela como o Primeiro entre os deveres.

Por Portugal e sem ressentimento.

rochajab@gmail.com

15 comentários:

Anónimo disse...

Bom se o Planeta fosse mais pequeno dormia-mos todos na mesma cama!!! Andava eu a navegar no sítio deste Exército chefiado por uns senhores comodistas, oportunistas e vampiristas... para ser meiguinho!!! e pasmei... lá, encontrei uma referência à Lei do Trabalhor-Estudante (o que é isto?!?) e numa secção fantástica: Incentivos ao RV/RC. Espero que os tristes alegres que ingressam em RV/RC não sofram o que voçê já sofreu só por querer estudar...Mas... ah Portugal dos pequeninos... isto é hilariante... estava a minha pessoa a relaxar numa esplanada quando as ondas sonoras que por lá se propagavam entram no meu ouvido e a minha massa cinzenta captou e reconheceu o ruído... eram duas mulheres... e uma delas deve ser militar em RC pois queixava-se da perseguição e da intimidação a que estava a ser sujeita pelo seus superiores por estar a estudar, e pelo que ouvi agora a pressão era maior pois estava a chegar a altura da renovação do contrato... bom até sorri, de tristeza, ao ouvir aquilo... afinal parece que eles andam aí... manadas de D. Quimotos... desenfreadas a tentar chegar primeiro ao glorioso aprisco... enfim... já vi... o Exército é mais fachadas, a cair, do que outra coisa...

Anónimo disse...

Peço desculpa pela duplicação!!!
Só o Português que se vende por uma bifana e por uma esferográfica é que acredita que o veto do Presidente foi para melhorar a GNR!!! Os seres com os ombros vermelhos, seres, porque ainda não consegui encaixá-los em nenhuma espécie que conheça, sentiram-se imediatamente em vias de extinção ao ler o Projecto de reestruturação da GNR, e claro está que foram logo chorar para o PR e demais chupistas... engraçado que quando a AR emana Leis que prejudicam todos os militares, estes seres, nada fazem... desculpem, nada não, privam de liberdade uns quantos ousados que fazem aquilo que eles próprios é que deviam ter feito... DEFENDER OS INTERESSES DE TODOS OS MILITARES E NÃO DEIXAR CHEGAR AS FORÇAS ARMADAS AO PONTO A QUE CHEGARAM E QUE AINDA VÃO CHEGAR...

Unknown disse...

Discussão enviesada!
Deixem lá os generais em sossego, fazendo muito, pouco ou nada.
O problema levantado pelo blogger reside nas 4 estrelas e o generalato para oficiais da GNR não oriundos da Academia Militar.
Comecemos pelo princípio.
A GNR é redundante e nada justifica manter uma organização que não é militarmente capaz e naturalmente não consegue ser polícia eficaz.
Fundi-la com a PSP é o caminho de bem rentabilizar recursos.
Mas, a continuar a sua existência, nunca poderá ser conduzida por um general de 4 estrelas. Eu explico.
Se é Força Militarizada será colocada sob a alçada das FA se e quando tiver que ser empregue no apoio de operações militares. Nesse caso, como não tem capacidade para efectuar operações independentes de infantaria (nem treino!) será colocada sob o comando do Exército. Sendo este comandado por um general de 4 estrelas... teríamos 2 galos no mesmo poleiro o que é tão mau que nem nos Bancos funciona quanto mais em operações de combate.
Avancemos agora para a ascensão ao generalato.
A caminhada para lá chegar há muito está definida e começa exactamente nas escolas militares.
E, ou este começo serve para alguma coisa ou então fecham-se.

A formação dos oficiais da GNR é muito deficiente do ponto de vista militar por razões óbvias - não são militares, não treinam como militares e ... sem ovos não há as ditas cujas (não é o hábito que faz o monge...).
Quanto aos RV/RC e a sua formação o erro está na estúpida concepção do contrato. A falta de voluntários e a falta de dinheiro levou a oferecer mundos e fundos a quem se alistasse.
Conseguiu-se assim um número razoável que, maioritariamente, vêm até às FA para arranjar emprego e portanto têm mentalidade de funcionários!
Nas unidades operacionais não é possível conciliar o treino e prontidão com a ida à escola. Só não sabe isto quem da "tropa" apenas conhece a vida ronceira de repartições dispensáveis e unidades de "escoteiros", igualmente dispensáveis e que já deviam ter sido extintas há muito tempo.
Nestas últimas é possível ir à escola, à praia, tratar do cão etc.
Cabe pois a quem chefia dar conta da sua opinião perante uma pretensão de estudo.
Por fim, um conselho.
Havendo tantas "tabancas" onde até há tempo para dar banho ao cão, porquê não tentar uma colocação nas mesmas?
Ao blogger:
Você deve ser masoquista. Se tem tão más relações com o seu comandante, mude de ares e vá até Sta. Margarida ou S. Jacinto onde o trabalho duro lhe deixará menos tempo e disposição para o muro das lamentações.
Ou então, decida-se. Enfie um par de borrachos no seu algoz. Morra o HOMEM e fique a fama.

fotógrafa disse...

Bom...bom mesmo, esta discusão enviesada, como diz o joao...e eu como nada percebo de tropa,pois (ainda) não me alistei..rsrsrs, já nem sei o que dizer, mas pelo que leio,ouço e observo, é que os tais D.Quimotos das FA, não ficaram nada entusiasmados pela resolução quanto á GNR....rsrsrsr
viram o tachinho a ficar queimado, e não quiseram estragar o banquete...
o que sei, é que nesta nossa santa terrinha,reduzida a esta pequenez fisica, dum rectângulo e algumas ilhotas, está a ficar cada vez mais atrofiadita, pois se nem as leis que a AR manda cá para fora são cumpridas, qualquer dia andamos todos á estalada e bofetão,pois pelos vistos só entra em vigor as que fazem do povo um escravo autêntico, a pagar a sua alforria, que nunca mais tem fim...
pois...porque nós é que somos sempre lançados ás feras, quando há que pagar, e não há fundos...vá povo, vai paga e não bufes...!!!porque os senhores, esses, nunca podem abdicar das suas regalias... da fachada...e nós aguentamos crise após crise...
será que algum dia, chegará algum SALVADOR DA PÁTRIA. para nos tirar deste sufoco???

Anónimo disse...

Ó João... beija-me!!!! Pela "comberessa" deves ser tropa ou outra coisa do género!?! E a solução que dá ao Viriato é típica de pessoa fraca e cobarde... em fez de fazer frente a quem nos pisa e retira direitos consagrados em Lei da República... fugimos para o ermo... se você está aí então deixe-se estar... e deixe que o Viriato sabe bem o que faz... tanto mais que o ZÉ já foi embora...

fotógrafa disse...

kekekekeke....Ó voz a 0 db, não refiles tanto....rsrsrs,por favor, estamos num espaço democrático, não?!então deixa lá ele dizer o que pensa.Será que pensa que na ET, não se trabalha?!?, engano meu caro... Claro que também acho a atitude do Viriato, a mais correcta...ele deve enfrentar tudo e todos,para provar que está certo nas suas reevindicações..estou completamente de acordo com a situação e pelos esforços que o Major tem feito para sair deste impasse, mas é bem agradável ouvir outras opiniões, sejam elas vindas de militares ou civis...afinal vivemos todos no mesmo país, debaixo das mesmas "LEIS" e é bom que cada um diga o que pensa, até para se tomar o pulso da nação, para observarmos se todos têm fibra...ou se somos simples moluscos de nos deslocamos ao sabor do caminho mais facil...
é sempre uma novidade passaer por este espaço, obrigada Major Rocha

José António Borges da Rocha disse...

João, respeito a sua opinião, aliás de grande sapiência castrense, mas... Não confunda o meu sítio e o objectivo (ver post inicial) com um comentário (post) isolado...

Se o D. Quimoto como já um visitante alcunhou lhe tivesse feito um centésimo do que me fez a mim, o Senhor Não Diria Do Alto da Sua Independência para "me calar" ou "dar-lhe dois murros": ISSO QUERERIA ELE...

UM ABRAÇO AMIGO.

Anónimo disse...

Tanto deixo que não pedi censura.. rsrs... ao comentário do João... Mas é a ler comentários como estes que se consegue vislumbrar a origem de seres, ainda sem espécie atribuída, com o Mr. Placebo... e é a forma de estar de "come e cala" que está na génese desta espécie parasita que infesta o Exército... ou não? Bem... o meu cérebro nem consegue imaginar um cenário de "come e cala" numa situação como esta a que o Viriato esteve e está sujeito! Para mim é um comentário infeliz, não basta ler a parte e pensar que leu o todo... mas lá está... nem todos temos a mesma coragem e determinação para fazer aquilo que deve ser feito...

Unknown disse...

Por questões de higiene não é usual argumentar com gentinha que, em vez de apresentar opiniões, se limita a tentar o insulto rasca.
Refiro-me naturalmente ao "voz a 0 db".
É óbvio que sei do que falo porque “só tenho 36 anos de serviço militar activo”, sempre no comando de gente de 20 anos desde os anos idos de África. Não sou pois assustável e gozo da serenidade de quem já comeu "toda a trampa" que possa ser imaginada.
Ah! Faço parte também dos que em 25 de Abril correram com a corja dos senhores do tempo. E, ainda, em 25 de Novembro ajudou a correr com a corja de pretensos novos senhores. O que parece bastante para mostrar que não sou adepto da “canga” seja em nome do que for.
A situação do blogger está atascada. Só agitando o pântano que descreve ou abandonando-o pode dar origem a novas situações e portanto novos inícios de caminhada.
Por aqui me fico e daqui me despeço. Boa sorte.

Anónimo disse...

Típico...

Anónimo disse...

Já agora gostava que me indicassem a parte parte do insulto rasca...

fotógrafa disse...

...por so até gostava de passar pelo blog do joao, mas ele não nos dá acesso a isso...é pena muita pena, gostava de ler o que ele lá escreve,para ter uma ideia mais concreta de como é que ele acha tudo aquilo que diz...

José António Borges da Rocha disse...

Avancemos agora para a ascensão ao generalato.
A caminhada para lá chegar há muito está definida e começa exactamente nas escolas militares.
E, ou este começo serve para alguma coisa ou então fecham-se.
DIZ O JOÃO E MUITO BEM.

É aqui que reside o busilis da questão (reflexão) os "Coroneis" da GNR são oriundos duma Escola Militar (O INSTITUTO SUPERIOR MILITAR) portanto deveriam naturalmente ascender à patente de General, conforme a lei previa na sua versão "não contaminada".

Eu dispensei de comentar a questão do Comandante ser de 4 estrelas precisamente pela razão que o amigo apontou, numa situação de crise ou emergência (conforme a lei) ficam sob a alçada das FA e portanto não podem existir dois galos na capoeira.

No fundo o raciocínio é semelhante e vai de encontro à sua reflexão, excepto no direito à valorização profissional "castrado" aos coroneis por não terem sangue azul...

Voltando ao "muro da lamentação" trata-se duma opção pessoal e duma forma de, exercendo o direito à "capacidade civil", ir mostrando aos concidadãos os "podres" DESNECESSÁRIOS duma perene instituição e que a cada dia que passa se esfarela e caminha para a Tumba, infelizmente porque é administrada por gente que só pensa em "si".

Dirá que um grito isolado, pois é. Quem sabe não irá desinibir algumas mentalidades castrenses...?

Saudação e apareça sempre, caro João.

fotógrafa disse...

Saiba caro Major Rocha, que se não tivesse tido o arrojo de vir aqui denunciar esta questão, eu, pelo menos não saberia nunca da missa a metade...pois na comunicação social, afloraram o assunto, mas sem ir ao âmago da questão...agora, pelo menos pela minha parte, estou a entender os meandos da nossa sociedade militar...que a nós civis, está transformada em tabu e pouco ou nada se sabe...
Grande parte dos portugueses, continua a pensar que ser militar nesta terra é ter uma vida facilitada e cheia de previlégios...é o que á viva força tentam transmitir cá para fora, pelo menos quando se fazem as campanhas de recrutamento...
por isso de valorizar esta semântica persecutória, e continuar, Major, para que pessoas como eu, que nunca passaram pelas forças armadas, começemos a descortinar os meandros que se tecem nas costas do pessoal que pertence ás FA Portuguesas...
outra coisa que não entendo, são estas missões no estrangeiro, como se os militares fossem mercenários...peço desculpa se estou a dizer alguma asneira, mas não entendo, como se mandam militares para paises, onde práticamente não estão a fazer nada, mas só para subirem de posto e ganharem uns míseros tostões a mais...aí vão eles...isto eu não entendo!!!
Um abraço

José António Borges da Rocha disse...

outra coisa que não entendo, são estas missões no estrangeiro, como se os militares fossem mercenários...peço desculpa se estou a dizer alguma asneira, mas não entendo, como se mandam militares para paises, onde práticamente não estão a fazer nada, mas só para subirem de posto e ganharem uns míseros tostões a mais...aí vão eles...isto eu não entendo!!!
Um abraço
EIS UM PENSAMENTO PROFUNDO.

Na verdade a moda do regime é a dita "capacidade de projecção de forças": o poder usou esta panaceia para destruir a IM.
É tudo uma questão de regime, de poder e até de patriotismo (ou falta dele).
No regime antes do 25/4 os militares iam para Africa defender a constituição da república, quer se queira quer não; hoje vão para o Kosovo, Bosnia, Afeganistão, Timor e mais não sei quê apenas para defender interesses de outros. Outrora morriam pela Pátria e por uma Bandeira, hojem falecem pelo Interesse Internacional....


Saudação