terça-feira, 25 de março de 2008

CURTO PAVIO - ENDING



(...)

A persistência da mediocridade a soldo da mentira sufragista, que atraiçoa o memorial de Abril, a breve trecho transformará a migalha do País numa horda sem memória. Por isso urge ser subversivamente combatida, e para o efeito julgo que o genuíno Povo não hesitará quando chamado a essa missão e dever. Nesse dia libertador, que julgo não ser necessário esperar 48 anos, o Povo irá com toda a certeza sair à rua com o dobro da Euforia do Abril esbugalhado. Para tal e tão desejada vitória pacífica apelo, e com isso vivo ansioso de dar exemplo pessoal, à arma da abstenção que, com mais força de razão que o Voto em Branco, surge como o único instrumento nas mãos do prognosticado vencedor, do resistente, da minoria cumpridora, afinal aqueles que recusam participar num regime inquinado (contaminado); num regime autista que, compelidamente, afasta e desautoriza o sufrágio do contraditório, e que por isso é geneticamente inconstitucional, e por isso está irremediavelmente condenado a afundar-se. É vital e imperioso não participar na “legitimação” do perjúrio que, elegendo e eleito no roído e no alarido, dia após dia, lacuna após lacuna, coage e desautoriza a sufragação do contraditório, escondendo-se por detrás dum fundamentalismo míope, vingativo e absolutista, impondo-se mais pela coacção normativa do que pela razão moral e contradizendo-se constantemente no que se diz ser, proibindo a livre circulação de algumas ideias, entre elas uma que foi só, e apenas, a grande fautora da nossa Grande História, atraiçoando o memorial dos nossos Maiores. Tal regime (em rigor perjúrio), geneticamente inconstitucional, afunda-se em cada voto recusado que, um após outro, com parcimónia decisiva, acabará por derrubar a estátua de pés de barro que, em constância, nos é impingida para adoração.

O apuramento da existência de ideais perseguidos ou proibidos e como tal insufragáveis, sinaliza, isto se não se quiser magoar o conceito em causa, que, em Portugal, a democracia é imperfeita e pior do que isso é manipulada por uma força oculta que a aprisiona a conceitos que lhe são genética e moralmente estranhos.

Por requisito da obra ou por imposição do obreiro, ao certo não o sei, faz-se constar que no regime defunto sobrava a arbitrariedade e o abuso, mas o que parece ser uma lição geracional é que esse maldoso regime (e especialmente o seu instrumento de tortura: a PIDE) cometeu alguns desvios a essa a arbitrariedade e a esses abusos ao ter sido incapaz de pôr na ordem muitos dos responsáveis (alguns timoneiros da causa maligna) pela desordem, mais instituída que herdada. Aproveitando-se da brecha, os oportunistas apoderaram-se, moral e materialmente, da generosidade do processo de metamorfose e de forma insane, e sob pretexto de nobres valores que atrofiaram (liberdade e democracia), estabeleceram a poscedente libertinagem e a desautorização consuetudinada, tornando-os em principados duma ambição sem escrúpulos.

Depois de calcorrear a lei fundamental e de experimentar o seu desvario em causa própria, é-me lícito concluir que o golpe de Abril apenas serviu de ponte entre o Duro Regime Corporativo e o Mole e Maçónico Regime do Permissivo, cujas práticas assentam na libertinagem e no arruaceirismo e cuja premissa teórica assenta na retórica republicana que foge e nega o contraditório, nem que para isso se arrogue numa espécie de tutoria tratando o soberano como demente e provocando frissuras no sentimento colectivo, no espírito patriótico e na coesão nacional.

O oportunismo sufragista que clandestinamente se parasitou na sela do Poder e que, infelizmente, se incrustou na letra e no espírito da bíblia constitucional é a causa-mor do desvario que com suas práticas e silêncios fornece elementos para pérfidas insinuações (como a notícia indesmentida), ofendendo e ferindo a memória e o sentimento libertador que o 25 de Abril consagrou. Portanto, enquanto se mantiver o contubérnio de cumplicidade restrita e a consequente incapacidade para expulsar o mal, pairará no coração de cada um de nós uma frívola sensação de mau estar que nos faz questionar a genuinidade da democracia que queremos e desejamos para a Nossa Amada Pátria.

Diagnosticada a causa, urge extirpá-la porque enquanto ela vingar, vingará a bastardez dos princípios e vingará o inexplicável silêncio oficial que, de lacuna em lacuna, dá razão para se pensar que o 25 de Abril se trata duma ponte que liga a Ditadura Autoritária à Ditadura Libertinária. A primeira assim designada porque assentava em estruturas políticas e sociais endurecidas e porque perseguia os contestatários; a segunda porque assenta num coriáceo e constrangedor “oportunismo sufragista” que flagela valores indegradáveis, e especialmente, porque sustenta uma impessoal perseguição sobre aquele que cumpre, zela, respeita e é honesto.

Podia contabilizar milhões de vítimas que atestam a conclusão apresentada e revelada, mas vou cingir-me unicamente ao caso do Meu Pai e às constantes perseguições de carácter pessoal e profissional que lhe tem sido infligidas.

Desde logo a sucessão indesculpável de deslocamentos (in)justificados ou mal justificados, a quem a hierarquia nem sequer responde e o provedor encolhe os ombros, pois desde há quatro anos que espera (em rigor desespera) por uma resposta da Hierarquia a uma pergunta muito simples: foi ou não derrogado o artigo 46º das Normas de Nomeação e Colocação dos Militares dos QP, conforme a hierarquia disse ao Exm.º Propvedor de Justiça?

Será que a ausência de resposta se deve a uma certa incapacidade democrática da Hierarquia (do responsável em causa) em assumir a verdade do eventual engano, persistindo assim no lodo da incompreensão e do silêncio: transposição directa e exacta da “civil” causa-mor, culpada de todos os males que atormentam a Pátria de Todos Nós.

O curioso é que a tal questão o Provedor parece comportar-se do mesmo modo: porque será? Será por cumplicidade organizacional? Será por pura negligência? Será por Solidariedade institucional? Ou será por Descuido?

Talvez seja por ser um órgão dum corpo doente...

Se a isto indexar, ainda e também, o desigual (e inconstitucional) tratamento explicitamente conferido pela lei (inspirada na causalidade espúria), então não será difícil entender o meu quase enlouquecido estado de espírito, como ainda compreender os fundamentos para tão sensato e legítimo desabafo; pois, sendo o Meu Pai um oficial do Exército Português, este confessa-me estar a sentir uma perigosa degeneração moral, em crescendo, no seio da instituição militar (IM). Assusta-me sentir que vivemos sob uma espécie de desalento conformista, uma espécie de ambiente de contriste moralidade onde a tangencialidade da lei facciona a IM em duas correntes rivalizantes: aqueles cuja servidão assenta na presunção do dever (os QP) e aqueles onde a mesma assenta na presunção do direito (os RV/RC), deixando sequelas à sua passagem e que, a uma velocidade estonteante, cimenta um ambiente de descrença e vinca um trilho escorregadio que inevitavelmente, cedo ou mais tarde, acabará cedendo passagem à insatisfação crónica.

Vislumbro dois jovens tenentes, com a mesma idade, ambos recém-casados, que exercem exactamente as mesmas funções (ambos comandantes de um pelotão de instrução) e que vivem, curiosamente, na mesma aldeia onde regressam na tarde de cada sexta-feira. Durante a semana acompanhamos de perto o desempenho de ambos, os dois repetem procedimentos, assumem responsabilidades semelhantes, passam grande parte do dia a exercitar as mesmas tarefas, e porque possuem uma amizade mútua que precede o dever militar, tomam inclusivamente juntos as três refeições do dia. E, é aqui que noto uma estrutural diferença de direitos, um deles (o RC) tem direito às três refeições, mas o outro (porque é do QP), e porque incompreensivelmente não usufrui do mesmo direito tem de pagar do seu bolso a primeira e a terceira, sem que nenhum deles compreenda a razão da “imoralidade” e da “irracionalidade” constatada.

Felizmente esta discriminação já foi suprimida.

Mas a sua existência foi verídica o que parecendo, no mínimo inconstitucional, deixa escapar fluídos da existência dessa causalidade estrutural, comum e responsável por todas as recalcitrâncias, democraticamente injustificadas.

Recentemente o Meu pai foi severamente punido com pena privativa da liberdade “por ter remetido uma carta pessoal antecedida dum e-mail, ao Exm.º Presidente da república, então Dr. Jorge Sampaio”.

Sou novo ainda mas pelo que me é dado a perceber a correspondência pessoal é inviolável, é sagrada.

Enfim…

Com este, ao qual poderia adir outros exemplos quiçá até mais desgastantes, termino constatando a existência dum ambiente militar, moral e materialmente, esdrúxulo, quiçá justificadamente mais esdrúxulo do que aquele que a memória regista como sendo as reminiscências do descontentamento militar que derivou naquilo que todos sabemos, e que permitiu o oportunismo que ousei denunciar.

E, como soberano que também sou e de que não abdico, penso e sinto que enquanto as causas menores (fúteis) se misturam, aliam ou combatem, pelo menos de 4 em 4 anos, a causa maior permanece hirta e imperativa, degenerando o espírito duma Nação e dum Povo que em tempos idos foi universalmente acarinhado.

Por tudo isso, e porque penso que a lealdade e o patriotismo se devem exclusivamente à Pátria-mãe e não ao Poder Temporal, insinuo ser hoje, mais do que nunca, uma responsabilidade e dever de cidadania que todo e cada Português, que não delega nem aceita delegações, deite mão à ferramenta subversiva, contribuindo deste modo para arregimentar a necessária resistência nacional, julgada imprescindível para combater a ameaça que paira sobre a Nossa Pátria, insubmetendo-se ao desvario, combatendo o insulto institucionalizado.

Porque já havia deixado de acreditar na política, na lei, no príncipe e agora deixei de acreditar na Justiça, resta acreditar em quê? A mim, a estes, a todos os combatentes e resistentes resta-nos a única arma não violenta que a (restritiva) constituição nos concede: a pedagógica abstenção.


EIS AQUILO QUE JULGO VIR A SER O POSFÁCIO DUM LIVRO JÁ ALINHAVADO E QUE SE DESIGNARÁ POR PERJÚRIO REVOLUCIONÁRIO...


2 comentários:

fotógrafa disse...

Major Rocha,cá ficarei á espera desse livro,que acho vai ser util para todos os portugueses...
Como sempre foi muito interessante ler tudo o que por aqui vai expondo...na verdade realidades do nosso país...
Abraço solidário

Manuel Ribeiro disse...

AhAhAh... O que me dá a vontade de rir, caro amigo... é o facto das Forças do Mal deambularem, peregrinas, ansiosas, à volta deste blog arquitectando tramas, tecendo mesquinhos projectos, de como tornar INOP o Autor... Consta-se até por aí, nos balneários dos ginásios e afins, que há uma equipa de Advogados (...) a estudarem o fenómeno, prenhos da necessidade ignóbil de lixar o Autor, nem que seja argumentando demência ou doença que tal... Veja-se a lata!, a que ponto os corta-bolos chegam!...