terça-feira, 25 de novembro de 2008

O DURO RECADO DE SÓCRATES AOS MILITARES

20:20 | Segunda-feira, 17 de Nov de 2008
COMENTÁRIO





Na sua primeira intervenção depois do início da agitação militar, José Sócrates foi como de costume: directo e brutal.
Foi um exercício hábil de poder: o primeiro-ministro passou hoje a mão pelo pêlo dos militares, mas não cedeu um milímetro à contestação.
Na sua primeira intervenção depois do início da agitação militar, José Sócrates foi como de costume: directo e brutal. "Este é um tempo de mudanças e de grandes exigências", repetiu várias vezes, mas "sem lugar à complacência e muito menos à cedência ao imobilismo e conservadorismo instalados".
Não pareceu que o primeiro-ministro, que falava, num gesto inédito, na cerimónia inaugural do ano lectivo no Instituto dos Estudos Superiores Militares (IESM) estivesse a referir-se ao descontentamento que os militares trouxeram para a rua, em manifestações e advertências à situação.
Foi, antes, um recado mais fino e de maior alcance em relação à subtil contestação superior aos propósitos da própria reforma em curso das Forças Armadas e que contempla todo o seu edifício.
E quais são eles, os grandes "eixos" da reforma, como ele próprio disse?
Modernização - nas concepções, no planeamento, na visão de futuro, nos equipamentos em pé de igualdade nos três ramos;
Qualificação - menos efectivos e mais qualificados;
Reestruturação e reforma - prioridade ao novo modelo das FA, que prevê o reforço da direcção política e estratégica do Ministério da Defesa, o fortalecimento da capacidade de resposta operacional e a racionalização das estruturas.
E para que não houvesse margem de erro na interpretação, sublinhou: "esta é uma verdadeira reforma do Estado que deve assentar num consenso político alargado", mas que "este Governo assume integralmente no plano do impulso, iniciativa e definição estratégica".
E foi só depois de o deixar bem destacado é que o primeiro-ministro referiu que conta agora com as FA na implantação da reforma - atento, sem dúvida, "às suas legítimas expectativas e reconhecendo a especificidade da sua função".
Mencionando, embora, que estava consciente que o muito que se pede aos militares também se pede aos restantes portugueses.
Dúvidas? Não ficou nenhuma.
Os três chefes dos ramos, que estavam instalados na primeira fila do grande auditório do Instituto, devem ter percebido o recado. E de lá saído passados.
O problema é que se os projectos são polémicos e não são assumidos por todos, em geral, dão bota. É como na Educação.
E o que se sabe desta reforma é que os chefes a têm contestado, nos seus termos e lugar próprio.
E quando se tira o tapete aos chefes...



Pois é, bem visto, é pena que tenha de ser uma jornalista a ver e a dizê-lo…

No dia em que o PM, em casa alheia e como convidado, decidiu INSULTAR os militares, e se ESTES tivesse coluna dorsal ERECTA tinham todos (sem excepção) abandonado a sala e deixado o PM a falar sozinho, para os seus botões…

A verdade é conclusiva e conjuntiva, depois daquelas palavras fica a certeza que os Chefes estão “solidários” com a reforma governativa e simultaneamente estão-se burrifando para o dever de tutela para com os subordinados que neles CONFIAM (será que confiam?)…

2 comentários:

fotógrafa disse...

Este Pinóquio, tem ouvidos de mercador...
já nada se pode esperar!
abraço

Anónimo disse...

Quanto aos militares do auditório levantarem-se e saírem... até pagava 1 eurito para ver essa!!!!
Quanto à "reforma"... claro que os Generais estão de acordo! os seus salários e despesas de representação já estão no papo (aumentos generosos) isto sem falar no Orçamento de Estado que serve para satisfazer os seus mais diversos prazeres individuais, e, sempre que possível, colectivos (entre eles é claro)