Ao contrário do que se extrai, à primeira vista, este sítio é também um lugar de reflexão repousada sobre a essência militar em particular e, de uma maneira geral, sobre a fragrancia distintiva do Ser Português.
E ainda que se mantenha (e mantém) fiel ao compromisso inicial: UMA DIGRESSÃO DESINIBIDA SOBRE O AMBIENTE CASTRENSE, suas virtudes e anátemas, não pode deixar tornar-se estanque ou quedar-se insensível ao problema militar como uma realidade sociológica e política necessária, tout curt.
Na actual organização militar, politicamente pensada para servir os Superiores Interesses Nacionais, detecta-se, mais vezes do que sería desejável, desatrosos ERROS DE COMANDO.
Erros estes que, devendo mas não sendo na sua esmagadora maioria evitados, conduzem ao estado geral de frustração e á ansiedade generalizada.
A tropa está desmoralizada.
O Moral está a ZERO.
E como sempre, o generalato, incapaz de admitir a sua própria contribuição para o malogro, agarra-se ao sofisma da representatividade para angariar pretextos e desculpas próprias.
A representatividade funcional dos Chefes Militares não está, não pode estar, NEM NUNCA ESTEVE em causa, registe-se e que fique bem claro.
O que está verdadeiramente em causa é a falta de eficácia organizacional que o modelo e a estratégia de representatividade tem revelado.
Mas o pior de tudo é o distanciamento funcional da realidade que comandam.
É comum e soi dizer-se nos corredores do informalismo que os militares subordinados precisam de ler os jornais para saberem das coisas do seu interesse.
Porque será que isto ocorre?
Falta de comunicação credível, desconfiança ou relacionamento doentio na relação e da dialectica subordinante-subordinado?
Inclino-me para esta ultima, e mesmo não sendo perito em ciência da chefia, afirmo com ciência que de entre as muitas causas que incitam à ansiedade e à lógica do disfuncional surge à cabeça uma tipicamente e tipificadamente diagnosticada: os mais altos escalões sáo protegidos da crítica adversa através da sua "invisibilidade".
Estão tão longe e distantes que se tornam inacessíveis e INVISIVEIS.
E o caricato é que, nos casos escassos, em que se encontram com as tropas que fisicamente comandam os chefes NUNCA têm uma palavra de atenção, estímulo, ou insentivo para com os homens que comandam, e cujo futuro lhes cabe cuidar e tutelar.
Os subordinados sabem o que os generais pensam através das entrevistas, e mesmo nas raras visitas que protagonizam às Unidades, são recebidos com lantejoulas, é-lhes ocultada a realidade local, são afastados daqueles que lhes pderiam dizer algo. Apenas uma Minoria os cumprimenta, mostram-se em silêncio para de seguida regressarem ao casulo do Alto Cargo com o rótulo de "TEREM SIDO VISTOS...!".
A exagerada dependência para a "divinização" faz deles entidades inacessíveis...
E ou a psicologia castrense, a formação para as armas e a cultura militar absorvem rapidamente os princípios democráticos ou a cada dia que passa o fosso, o hiato, entre estas duas realidades ficará cada vez mais intransponível.
Um contributo, de quem em breve espera abandonar as fileiras...
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
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2 comentários:
Este lugar é um refugio,para onde convergem as águas do descontentamento geral, tanto aí na EPT, como no resto do país. E, dando voz a quem por cá quiser passar,este blog ajuda a que não fiquemos de novo a viver no vegetativismo em que por vezes os portugueses se encontram...
que pelo menos façamos a nossa terapia,pois deitando cá para fora(muitas vezes em forma de escrita)tudo o que nos sufoca, ainda conseguimos ser gente equilibrada.
Aqui,(assim como noutros blogs)ainda temos essa alternativa.
Continue sempre a escrever tudo o que acha menos bom, seja por essa escola, seja por tudo o resto que por esta pátria se está a passar, e todos os que têm boa vontade e um pouco de vontade de contribuir de algum modo para que o dia a dia seja mais leve, por cá continuaremos a dizer o que nos vai também na alma...
Obrigada pelas visitas, bom fds e abraço
A EPT tem parido muitos generais... ou seja, de acordo com os ditames do que se tem exigido para os mais elevados cargos do Exército os ex-comandantes da EPT ajustam-se ao efeito.
Constata-se que o MAL do nosso Exército radica em três vectores essenciais:
1. Falta de RESPEITO e INGRATIDÃO dos governantes pelos militares;
2. Excessiva submissão e subserviência dos Generais ao Poder Político;
3. Excessiva incompetência e anemia de VIRTUDES dos mesmos generais.
No Quadro Actual confunde-se constantemente Militares e Forças Armadas com Chefias Militares e Generais. Aí está um GRANDE ERRO. porquanto os generais não representam minimamente os restantes militares.
Um general é um político. Os oficiais superiores que ambicionam ser generais pautam precocemente as suas acções por puro egoismo, indiferentes aos interesses dos seus subordinados, do Exército e de Portugal. Aos generais só interessa o seu umbigo, a sua reforma especial, estando-se a marimbar para o que acontecerá ao resto das fileiras.
O PODER CORROMPEU os generais. Atribui-lhes uma reforma especial, o jubilamento, de forma a manipulá-los conforme a conveniência.
A famosa EPT tem portanto sido afectada por este tipo de gente, comandantes que se preocupam unicamente com a sua carreira pessoal, com os salamaleques, indiferentes ao que passa em termos da verdadeira missão atribuída a uma unidade deste quilate. Ela é um lídimo exemplo do que é o actual Exército e o Paìs em geral - uma MENTIRA.
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