Mal-estar geral nos quartéis
CARLOS VARELA
Nos quartéis o ambiente está quente, com cortes na saúde, nas carreiras e ainda o espartilho do orçamento. A resposta dos militares limita-se para já a reuniões e debates, mas já se fala em acções de rua.
E há generais a criticar o CEMGFA.
O mal-estar vivido nos quartéis e que veio a público na sequência das declarações do general Loureiro dos Santos teve ontem reflexo no jantar-debate de oficiais que decorreu em Lisboa. O encontro foi organizado pela Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e o presidente daquela estrutura, coronel de artilharia Alpedrinha Pires, não limitou as preocupações a uma questão de classe e de direitos profissionais: "A vida nas unidades é desastrosa e dramática", estendendo, assim, o mal-estar à falta de verba até para o funcionamento regular das unidades.
Alpedrinha Pires conhece o anunciado reforço do orçamento por parte do Ministério da Defesa (MDN), mas diz que não chega, uma vez que "há unidades onde falta verba para a luz, para a água e para a gestão corrente. As coisas só estão bem em algumas forças ou naquelas que vão ser destacadas para o exterior". E quanto a um maior investimento no reequipamento, "vamos a ver, porque o mais habitual é o desvio de verbas da Lei de Programação Militar".
O mote foi dado pelo general Loureiro dos Santos quando na quarta-feira, no lançamento do seu livro "Como Evitar Golpes de Estado", criticou a passividade do Governo perante a falta de soluções para os principais problemas dos militares do Quadro Permanente das Forças Armadas, as questões da remuneração, da saúde e das pensões. No jantar, no entanto, adiantou acreditar que o MDN tenha vontade política para resolver os problemas, se bem que tenha reafirmado o receio relativamente a atitudes individuais mais preocupantes.
Ontem, o chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), citado pela agência Lusa, veio reconhecer que "há, como certamente em todas as diferentes instâncias do país, problemas e dificuldades e coisas que têm que ser resolvidas", lembrando que vêm de "há dez anos". Mas Valença Pinto também lembrou que é um processo que tem que ser "vivido com absoluta compreensão do quadro geral de dificuldades do país".
As explicações de Valença Pinto não foram bem aceites no jantar de oficiais, mesmo entre os generais. O general Eduardo Silvestre, antigo inspector-geral da Força Aérea, foi categórico: "Se há problemas que se arrastam há 10 anos e se é o próprio CEMGFA que o diz e o reconhece, então o CEMGFA é incapaz de resolver a crise". Também o tenente-coronel Vasco Lourenço mostrava preocupação: "os militares não cortam estradas, mas o Governo não pode continuar a ignorar-nos. Pode haver pessoas que queiram fazer coisas feias".
Entre os sargentos, o ambiente também não é o melhor. "Há problemas de toda a ordem. Têm-nos chegado alguns casos em que chega a não haver verba nem para comprar papel higiénico. São casos pontuais, mas existem", apontou Lima Coelho, presidente da ANS. E quanto aos cortes na saúde e nas carreiras Lima Coelho adiantou que a ANS vai começar a realizar reuniões por todo o país: "A primeira é Viseu, na próxima semana, depois em Braga". E a opção de mais acções de rua é uma das soluções, "claro que vamos estudar essa opção, vamos reunir e decidir o que fazer".
ENTÃO E AGORA? COMO REAGE O GOVERNO A ESTAS E OUTRAS REALIDADES JÁ NÃO MAIS PASSÍVEIS DE SEREM NEGADAS?
Como sempre , o Governo, tem sempre à mão o trunfo para jogar: escamoteando a verdade, e encimado de prepotência semãntica, vem o Secretário da Defesa dizer que a LEGITIMIDADE da situação nas forças armadas está nas chefias e como as chefias não reconhecem problemas então estes não existem, mas... ESTÁ PROFUNDAMENTE ENGANADO E PIOR DO QUE ISSO ESTÁ A SER INTELECTUALMENTE INVERDADEIRO, SENHOR SECRETÁRIO DE ESTADO.
Na verdade, e o que é verdade passe a redundância, é que a legalidade para respresentar as forças armadas está nas mãos (cabeça) da hierarquia, mas isso não significa ter a "legitimidade", especialmente no sentido que o governante lhe quer dar.
Em primeiro lugar porque essa só existiria se os chefes militares fossem ESCOLHIDOS pelos militares; em segundo porque outras entidades que não as chefias, recordo por exemplo as associações militares, têm de igual modo "legalidade" para representar os militares, a corporação que representam e em ultima instância os associados que as quotizam...
Porque ignora esta realidade o Secretário/Governante?
É simples, porque é um demagogo e quer através da demagogia ocultar as questões e iludir os portugueses, como aliás fazem nas outras questões sociais...
É triste...
Agora que os problemas REAIS da caserna estravasaram os muros do quarteis;
Agora que os problemas castrenses são debatidos no ALCATRÃO;
Agora que os protestos são imparáveis;
Agora que até os ex-chefes militares dão voz ao descontentamento;
Agora que o País e os Portugueses conhecem o verdadeiro estado das forças armadas;
Agora que já não se pode tapar o sol com a peneira e não mais se consegue esconder o estado de corrosão a que a moral castrense chegou;
Agora que é conhecido a doença que afecta a IM, excpeto a hierarquia que no seu casulo de regalias e salamaleques ainda tenta negar o inegável;
Agora que o País precisava de uma resposta LÚCIDA, SERENA, RESPONSÁVEL e acima de tudo VERDADEIRA vem o Secretário da Defesa - uma vez mais - do alto da sua impudícia atiçar o tique da legitimidade.
Com se a legitimidade não fosse aquilo que deriva do que é legítimo, autêntico, genuíno, E ISTO É O CONTRÁRIO DA HIERARQUIA MILITAR ACTUAL E DO SEU PENSMAENTO/ACÇÃO.
Uma hierarquia que não age;
Uma hierarquia que vira as costas á tutela;
Uma hierarquia que não cumpre a lei;
Uma hierarquia autista;
Uma hierarquia que refugia os seus actos no secretismo funcional;
Uma hierarquia que não monitoriza as suas próprias responsabilidades e deveres;
Uma hierarquia incapaz de conviver com a superintendência do subordinado: eis entre OUTRAS uma das causas para a epidemia que afectou, quem sabe malignamente, a instituição militar.
sábado, 1 de novembro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
3 comentários:
Como lhe disse no comentário ao seu post anterior, está chegar a hora de dizer BASTA!!! dos militares mostrarem que não estão passivos...
A degradação da instituição castrense extensiva ao restante país, está á vista. Só quem não quer ver, não reconhece o mal estar que há muito, muito tempo vem sendo anunciado...
Está na hora dos militares, mostrarem a força que sempre tiveram, e têm...está visto, que só pela insistência e força, conseguiremos restabelecer a dignidade a que todo o cidadão tem direito, mesmo com os anuncios pessimistas por força crise financeira a nivel mundial, que agora é pau para toda a obra...há sempre desculpas, quando não há vontade de modificar o que está errado.
Que eu saiba, pelo menos aí na EPT, há alguns anos, que a vida não é fácil, em vários aspectos...para bom entendedor...
Bom fds e um abraço
Se amigos são flores que duram, um ano ou um dia,
não faz diferença, porque o importante,
são as marcas que deixam nas nossas vidas.
Bom fds
abraço
Ouvindo ainda há pouco Severino Teixeira, entrevistado no jornal da noite na RTP1, pelo jornalista José Rodrigues dos Santos, chegamos á conclusão depois de ouvir este ministro, que a democracia nas forças armadas está bem e recomenda-se...pois os militares que estão no Kosovo e Afganistão, estão muito bem?!?...entendi bem?!?hummm....
Além disso(cita o dito ministro) UM MILITAR, quando envereda por essa carreira, tem que abdicar da sua vida...(?!?) a favor da cidadania?!?...rsrsrs
mas em que raio de país vive este ministro?...só se fôr no País da Alice...que se diz das maravilhas...
Acho que esteve mas foi o tempo todo da entrevista a fugir com o rabo à seringa...e a tentar deitar areia para os olhos do pessoal ...
Pelos vistos para o senhor ministro, o pessoal militar, está bem e...recomenda-se!O resto, o que é dito e irá voltar a dizer-se, não tem o menor valor para o governo...
abraço
Enviar um comentário